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    Notícias do Jiu Jitsu

    Caso André Galvão x Alexa Hersey: Da Denúncia ao Arquivamento

    jaimec.luzBy jaimec.luzmaio 15, 2026Updated:maio 22, 2026Nenhum comentário25 Mins Read
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    Caso André Galvão Alexa Hersey
    Cobertura completa do caso que abalou o mundo do Jiu Jitsu em 2026.
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    O caso André Galvão x Alexa Hersey foi, sem dúvida, um dos episódios mais marcantes do Jiu Jitsu mundial em 2026. Começou em fevereiro com uma denúncia gravíssima feita pela faixa roxa Alexa Hersey contra o pentacampeão mundial André Galvão. Provocou uma debandada histórica na equipe Atos. Terminou, em abril, com o arquivamento criminal do caso na justiça americana. E ganhou novo capítulo em maio, quando uma segunda atleta, Andressa Simas, veio a público com relato próprio sobre situações semelhantes.

    Nesse post eu reúno toda a cobertura que fiz no canal, do início ao fim, com as notas oficiais lidas na íntegra e os fatos cronologicamente organizados. Sem teoria da conspiração, sem ataque pessoal a ninguém. Fato, documento e, quando for opinião minha, eu vou deixar claro que é opinião.

    📌 O que você vai encontrar nesse post
    • Ato 1: A denúncia de Alexa Hersey (fevereiro de 2026)
    • A nota de Alexa na íntegra
    • A nota de André Galvão na íntegra
    • Ato 2: A debandada histórica da Atos
    • Mensagem direta para as mulheres do Jiu Jitsu
    • A cobrança institucional à IBJJF
    • Ato 3: O arquivamento do caso (abril de 2026)
    • A nota oficial do arquivamento na íntegra
    • O que muda a partir de agora
    • Ato 4 (22/05/2026): Andressa Simas vem a público com relato próprio
    🗓️ Linha do tempo do caso (última atualização: 22/05/2026)
    • Fevereiro de 2026: Alexa Hersey publica nas redes sociais a denúncia contra André Galvão.
    • Fevereiro de 2026: André Galvão publica nota oficial negando todas as alegações.
    • Fevereiro de 2026: Kingz suspende patrocínio do André. Multicampeões mundiais como Lucas Pinheiro, JT Torres, Josh Hinger, Gustavo Batista, Rafaela Guedes e Luísa Monteiro deixam a Atos.
    • Fevereiro de 2026: Atos HQ suspende André e Angélica Galvão de todas as funções na equipe. Filiais ao redor do mundo se desfiliam.
    • 9 de abril de 2026: San Diego City Attorney’s Office decide pelo arquivamento do caso na esfera criminal.
    • Abril de 2026: Escritório Hueso e Andrade Advogados, representantes legais de André no Brasil, divulga nota oficial sobre o arquivamento.
    • 21 de maio de 2026: Andressa Simas publica relato próprio no Instagram, descrevendo situações que diz ter vivido com André Galvão, e informa ter prestado esclarecimentos à polícia americana durante a investigação do caso da Alexa. Canal Muito Mais Ação Jiu Jitsu notifica formalmente a defesa do André antes de divulgar cobertura do novo desdobramento.

    Ato 1: A denúncia de Alexa Hersey (fevereiro de 2026)

    Em fevereiro de 2026, o mundo do Jiu Jitsu foi sacudido. Alexa Hersey, faixa roxa, na época ainda atleta da equipe Atos Gracie Jiu Jitsu, veio a público nas redes sociais fazer uma denúncia gravíssima contra André Galvão, pentacampeão mundial, vencedor de quatro superlutas do ADCC, fundador da Atos junto com Ramon Lemos, hall da fama da IBJJF e do ADCC.

    Alexa alegou conduta inadequada por parte de André durante sessões de treino na academia Atos de San Diego, Califórnia. Eu publiquei na ocasião um vídeo aqui no canal lendo na íntegra tanto a denúncia da Alexa quanto a nota oficial de defesa do André. Esse vídeo continua no ar, e essa é a primeira parte da cobertura desse post:

    A nota de Alexa Hersey na íntegra

    Pra que ninguém seja interpretado fora de contexto, segue abaixo a tradução do texto publicado por Alexa Hersey nas redes sociais dela em fevereiro de 2026:

    📄 Publicação de Alexa Hersey (fevereiro/2026)

    Seguindo em frente. Eu não estou mais associada à Atos Jiu Jitsu. Isso é algo que eu nunca imaginei que teria que dizer, já que passei a maior parte da minha infância e adolescência dedicada a essa equipe. Mas agora, infelizmente, não tenho outra escolha a não ser me afastar e me manifestar.

    Nos últimos seis meses, fui colocada em situações de grande desconforto, em diversas ocasiões, por André Galvão. Ele me tocou de forma inadequada durante as sessões de treino. Ele comentava repetidamente sobre o meu corpo e a minha aparência. Durante os treinos, ele me afastava do parceiro de treino que eu mesma havia escolhido, mandava esse parceiro treinar com outra pessoa e me obrigava a treinar com ele. Ele fazia sons e gemidos sexuais no meu ouvido enquanto estava por cima de mim. Em outra ocasião, quando a cabeça dele estava muito próxima à minha, ele lambeu a minha orelha.

    Entrei em contato com Angélica Galvão, alguém que sempre considerei como uma segunda mãe e que me conhece e me orienta desde que eu era criança. Ela não apenas não fez nada a respeito, como me disse para não falar nada e afirmou: “se é errado, você pelo menos tem que agir como se fosse certo” e “não morda a mão que te alimenta”. Ela escolheu me ignorar, me silenciar e proteger o marido. Mas você ainda pensaria assim se fosse a sua filha?

    Eu cresci treinando na Atos e foi o André Galvão que me promoveu à faixa cinza quando eu era criança. Estou completamente devastada. Eu costumava olhar pra ele não apenas como meu professor, mas como um herói, uma figura paterna.

    Eu nunca quis isso. Eu não tenho nada a ganhar tornando isso público. Esta é a minha verdade e eu sei com certeza absoluta que eu não sou a única vítima disso. Para outras meninas, espero que isso lhes dê coragem para se manifestarem.

    Eu me recuso a carregar uma vergonha que não me pertence. O silêncio apenas protege os abusadores e eu me recuso a permanecer em silêncio por mais tempo. Registrei um boletim de ocorrência junto às autoridades locais.

    A nota de André Galvão na íntegra

    Logo após a publicação de Alexa, no dia 1º de fevereiro, André Galvão publicou no Instagram dele a nota oficial de defesa, que segue abaixo:

    📄 Nota oficial de André Galvão (1º de fevereiro de 2026)

    Nos últimos dias, rumores falsos têm circulado online, alegando conduta inadequada com alunas dentro da minha academia. Essas alegações não são verdadeiras e estamos tomando as medidas legais cabíveis pra proteger a integridade da Atos.

    Eu dediquei a minha vida ao Jiu Jitsu brasileiro e à construção de academias onde as pessoas possam treinar com segurança, confiança e dignidade. Eu tenho orgulho da nossa cultura, respeito, disciplina e profissionalismo dentro e fora do tatame. Nosso espaço do tatame é cercado por funcionários, alunos, câmeras. Sempre trabalhamos pra manter um ambiente de treinamento seguro, respeitoso e transparente.

    Não irei me envolver em disputas nas redes sociais. Portanto, já estou tomando todas as medidas necessárias pra proteger a nossa comunidade e o nome da minha família. Garanto que em breve toda a verdade será esclarecida, inclusive os fatos irreais sobre a saída de alguns membros da equipe em razão de recentes mudanças administrativas e financeiras.

    Tudo isso teve início com uma pessoa que saiu da Atos recentemente, antes mesmo de toda essa situação, e que nem sequer é mencionada nos rumores, mas que age movida por um ato de vingança pessoal decorrente de cortes financeiros e decisões administrativas.

    Se você é aluno ou responsável e tiver qualquer dúvida ou preocupação, indicamos que entre em contato conosco diretamente. Toda preocupação legítima será tratada com seriedade pelos canais adequados, não por meio de acusações vagas nas redes sociais.

    No final, tenho fé de que a verdade prevalecerá. Permaneço ao lado da minha família, Sara e Angélica, em todas as tribulações. Que Deus abençoe a todos. André Galvão.

    Ato 2: A debandada histórica da Atos

    O que aconteceu nas 48 horas seguintes à publicação de Alexa foi algo sem precedentes no Jiu Jitsu mundial. Vou listar pra você o tamanho da debandada:

    • Kingz, a maior empresa de kimonos do mundo, suspendeu o patrocínio de André Galvão.
    • Lucas Pinheiro, campeão mundial e dono de uma das maiores Atos dos Estados Unidos, abandonou a equipe.
    • Josh Hinger, faixa preta master, dono do cinturão do JJ Stars, deixou a equipe.
    • JT Torres, bicampeão do ADCC e campeão mundial sem kimono, deixou a Atos.
    • Gustavo Batista “Braguinha” e Luísa Monteiro, casal multicampeão mundial, anunciaram saída.
    • Rafaela Guedes também anunciou saída.
    • Maara Munhoz, repórter e youtuber que trabalhava com a Atos San Diego nas redes sociais, também saiu.
    • O Atos HQ anunciou a suspensão imediata e indefinida de André e Angélica Galvão de todas as funções e cargos.
    • Várias filiais se desfiliaram: Atos Miami, Atos Reino Unido, Atos Austrália, várias filiais no Brasil. Inclusive a Atos Gueto, de Porto Alegre, do professor Guto Campos, amigo de longa data do André.
    💬 Minha opinião sobre a debandada

    No mundo corporativo e em vários outros esportes, quando um líder ou alguém é acusado desse tipo de coisa, geralmente as pessoas esperam o “devido processo legal”. “Vamos aguardar as investigações”, dizem. Mas na Atos o que a gente viu foi um efeito dominó numa velocidade recorde. Essas pessoas não são apenas alunos saindo da academia, são sócios, atletas, donos de filiais. O rosto da marca Atos pelo mundo. Quando essas pessoas decidem tirar o escudo da Atos do peito em 48 horas, isso nos diz algo que talvez uma nota oficial não esteja nos dizendo. Eu sinceramente queria acreditar que se trate apenas de uma manobra pra resguardar a própria imagem. Mas a velocidade da saída de tanta gente influente é difícil de ignorar.

    📖 Leia também Manual da Faixa Branca de Jiu Jitsu: o guia completo pra quem tá começando

    Mensagem direta para as mulheres do Jiu Jitsu

    Cara, essa parte aqui não é parte da cobertura jornalística do caso, mas eu preciso falar diretamente com você, mulher, que tá lendo esse post. Se você sentiu um nó no estômago em cada detalhe que apareceu acima, talvez você esteja vivendo o seu próprio pesadelo silencioso. Talvez no seu tatame, na sua academia, tenha alguém que se aproveita da hierarquia, da força física, do título de professor de uma faixa preta pra cruzar uma linha que não deveria ser cruzada.

    Eu sei que o seu medo é gigante. Medo de ser julgada. Medo de ser excluída do treino. Medo de que ninguém acredite em você. Mas escuta o que eu vou te dizer agora.

    A vergonha que você sente, ela não é sua. A vergonha pertence a quem comete a agressão. Quando o silêncio prevalece, quem age de forma errada se sente seguro. O silêncio é o oxigênio que permite que ciclos de abuso continuem.

    O Jiu Jitsu é um lugar de respeito, técnica e evolução. Se não houver isso, não é Jiu Jitsu, é crime. Denuncie, procure as autoridades, fale com pessoas de confiança, registre boletim de ocorrência. Se recuse a carregar um peso que não te pertence.

    O tatame deve ser o lugar onde você se sente a mais forte do mundo, não o lugar onde você se sente mais uma pessoa vulnerável. Você não tá sozinha. A gente tá aqui pra te ouvir, pra cobrar, e pra garantir que a logo de uma academia ou uma faixa preta nunca mais sirva como esconderijo pra um covarde.

    Eu já fiz um vídeo aqui no canal especificamente sobre a importância de TODA mulher saber Jiu Jitsu (não pra revidar, mas pra ganhar segundos preciosos pra escapar). Vale demais assistir:

    A cobrança institucional à IBJJF

    Agora a gente precisa falar de um grande elefante na sala: a IBJJF (International Brazilian Jiu Jitsu Federation), a maior vitrine do nosso esporte. É ela quem dita as regras, é ela quem organiza o Mundial, é ela quem dá o selo de elite pra um atleta, quem coloca alguém no hall da fama, quem chancela campeão mundial.

    Mas até quando a IBJJF vai se comportar apenas como uma empresa que vende inscrições e certificados? Uma nota oficial dizendo que “estamos acompanhando” é o mesmo que nada. É textão padrão feito por advogados pra não assumir responsabilidade. O que o Jiu Jitsu precisa hoje não é uma nota oficial, é postura de uma instituição ATIVA.

    📌 Três ações concretas que a IBJJF precisa implementar pra ontem

    1) Conselho de ética independente. Comitê formado por profissionais de fora (advogados, psicólogos, especialistas em compliance) que não devam favores a nenhum professor ou equipe famosa.

    2) Protocolo de suspensão preventiva. Em qualquer esporte profissional sério, quando há denúncia formal com boletim de ocorrência, o atleta ou professor é suspenso preventivamente das competições até o caso ser esclarecido.

    3) Canal de denúncia externo e anônimo. Plataforma externa, auditável, onde atleta, aluno ou funcionário possa denunciar abuso sem nenhuma retaliação. Não pode ser um e-mail que cai na mesa de um amigo do acusado.

    O argumento de “somos uma empresa privada” não cola mais. Se você lucra com o esporte, você é responsável pela integridade dele. Na minha opinião, o silêncio da federação diante de casos como esse é o que permite o ciclo de abuso continuar.

    💬 Minha mensagem direta à IBJJF

    IBJJF, dá uma olhada aqui. Olha nos meus olhos. O Jiu Jitsu cresceu. O tempo de resolver no vestiário acabou. Ou vocês criam mecanismos reais de proteção, ou vocês serão lembrados como a federação que lavou as mãos enquanto o esporte que ela representa perdia a alma, perdia pessoas importantes por pura negligência. Não adianta nada a gente fazer conteúdo, falar bem do Jiu Jitsu e trazer praticantes pro tatame, se em casos como esse vocês se omitem e fazem com que milhares de pessoas se afastem do nosso esporte.

    Ato 3: O arquivamento do caso (abril de 2026)

    Em 9 de abril de 2026, o San Diego City Attorney’s Office (órgão equivalente ao Ministério Público nos Estados Unidos) decidiu por NÃO apresentar acusação criminal contra André Galvão. Em outras palavras, o caso foi formalmente arquivado na esfera criminal.

    Pra quem não tá acostumado com o sistema jurídico americano, deixa eu explicar como funciona. Nos Estados Unidos, quando alguém faz uma denúncia, a polícia investiga e depois encaminha pro promotor local o que ela encontrou. O promotor é quem decide se vai apresentar ou não acusação criminal formal. Ele olha as provas, os depoimentos, ouve as duas partes, analisa os elementos e toma uma decisão técnica: tem base pra processar criminalmente, sim ou não?

    No caso de André Galvão, a decisão foi que NÃO tem base. O termo técnico usado em inglês foi “Declined to File Charges”, que em português significa que declinaram de apresentar a acusação. Significa que, no entendimento das autoridades de San Diego, não existem elementos suficientes pra processar criminalmente o André.

    📌 Atenção a uma diferença jurídica importante

    Arquivamento criminal NÃO é o mesmo que declaração de inocência absoluta. Juridicamente são coisas diferentes. Pra alguém ser declarado inocente precisa haver julgamento, com o caso indo a júri. Quando o caso é arquivado, nem chega a ter julgamento, é porque o promotor entendeu que não existem elementos suficientes pra abrir o processo. Em termos práticos, ambas resultam em ficha limpa. André Galvão não responde mais criminalmente por esse caso em San Diego, e pra todos os efeitos legais é considerado inocente.

    Esse foi o vídeo em que eu trouxe o desfecho do caso aqui no canal:

    A nota oficial do arquivamento na íntegra

    O escritório Hueso e Andrade Advogados Associados, representante legal de André Galvão no Brasil, emitiu uma nota oficial à imprensa após o arquivamento. Segue abaixo na íntegra, com a mesma seriedade com a qual eu apresentei aqui as outras duas notas:

    📄 Nota oficial – Hueso e Andrade Advogados Associados (abril/2026)

    O escritório Hueso e Andrade Advogados Associados, na qualidade de representante legal do Senhor André Galvão no Brasil, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos.

    Como é de conhecimento público, uma acusação grave foi feita contra o Senhor André Galvão por uma ex-aluna. Diante de tais alegações, o Sr. André Galvão e sua família prontamente buscaram orientação jurídica no Brasil e nos Estados Unidos, colaborando integralmente com as autoridades competentes pra devida apuração dos fatos e o esclarecimento da verdade.

    As investigações foram conduzidas pelo Departamento de Polícia de San Diego e encaminhadas ao promotor local. Após criteriosa apuração, as autoridades norte-americanas concluíram a inexistência de elementos capazes de sustentar qualquer tipo de imputação criminal, tendo o caso sido formalmente arquivado. A denúncia foi, portanto, infundada, sem qualquer prova.

    No Brasil, igualmente, inexiste qualquer acusação formal perante o Poder Judiciário Nacional. André Galvão segue com a ficha limpa, primário e de bons antecedentes, tanto no Brasil quanto no exterior.

    Lamentamos profundamente o desgaste causado ao Sr. André, à sua família e à Atos, instituição que tanto se dedicou a construir, por acusações que, submetidas às autoridades competentes, revelaram-se desprovidas de qualquer fundamento. A ampla divulgação dessas narrativas, antes mesmo de qualquer apuração concluída, feriu a presunção de inocência de um cidadão cuja história merecia ser ouvida antes de ser julgada.

    É justamente em defesa dessa garantia constitucional e de cada pessoa que a ela tem direito que o escritório Hueso e Andrade Advogados Associados reafirma seu compromisso com a seriedade e o cuidado que cada fato merece. Aqueles que de modo irresponsável ofenderam a imagem e a honra do Sr. André e sua família e equipe, deverão responder igualmente perante a justiça.

    O que muda a partir de agora

    Algumas pessoas devem fazer a seguinte pergunta: o que que muda? Vamos por partes.

    Primeiro: André Galvão tem o direito legítimo de retornar à vida profissional. Ficha limpa, caso arquivado, presunção de inocência. Ele pode voltar a competir (já voltou, esteve no Brasileiro), voltar a dar aulas, e é muito provável que volte ao comando da Atos.

    Segundo: o caso está encerrado na esfera criminal em San Diego, mas Alexa Hersey ainda tem o direito eventualmente de ingressar com uma ação civil, que é uma ação separada da criminal e que tem critérios diferentes. Se isso vai acontecer ou não, eu não sei. Se rolar, a gente volta a pautar aqui.

    Terceiro: a minha cobrança institucional à IBJJF continua de pé. Ela nunca foi sobre uma pessoa específica ou um caso específico. A gente precisa de conselho de ética independente, canal externo de denúncia e protocolos formais de proteção. Isso vale COM ou SEM esse caso. Vale pro futuro do nosso esporte.

    💬 Minha conclusão pessoal

    Eu não tô aqui pra ser juiz de ninguém. A justiça da Califórnia fez o papel dela, e o caso foi arquivado. Eu tô aqui pra ser a voz que questiona. Até quando o respeito ao professor vai ser usado como escudo? André Galvão é, sem dúvida, um dos maiores da história do Jiu Jitsu. Mas a história do Jiu Jitsu é muito maior do que qualquer homem. E se pro nosso esporte sobreviver e ser seguro, ídolos tiverem que ser questionados, que sejam.


    🔄 Atualização do documento 22 de maio de 2026

    Ato 4: Andressa Simas vem a público com relato próprio

    Em fevereiro eu trouxe pra vocês a denúncia da Alexa Hersey. Em abril eu trouxe o arquivamento criminal do caso. E agora eu venho aqui porque uma segunda atleta veio a público com relato próprio, e isso muda a conversa.

    Eu poderia ignorar esse desdobramento. Poderia dizer “o caso tá arquivado, acabou, não falo mais”. Mas o compromisso que eu fiz com vocês desde o primeiro vídeo foi um só: cobrir esse caso com a mesma seriedade do começo ao fim. Mesma régua. Mesma seriedade. Sem passar pano pra ninguém.

    Antes de gravar o vídeo com a cobertura desse desdobramento, eu enviei e-mail formal pro escritório Hueso e Andrade Advogados Associados, representante legal do André no Brasil, comunicando a publicação e reafirmando o compromisso desse canal: se em qualquer momento a defesa emitir nota oficial sobre o relato da Andressa Simas, eu venho aqui no canal e leio na íntegra, sem cortar, sem comentar no meio, exatamente como fiz com a nota de abril. Esse compromisso tá no ar. Sem prazo. Sem condição. A porta tá aberta.

    Assiste o vídeo completo com toda a análise:

    Quem é Andressa Simas e o que ela publicou

    Na quarta-feira, dia 21 de maio, a atleta Andressa Simas publicou no Instagram dela um relato próprio. Ela fez questão de contextualizar logo no começo:

    📄 Trecho de abertura do relato de Andressa Simas

    “Foi circulado uma nota informando que um caso havia sido arquivado por falta de provas. A justiça difere de um país pra outro, mas a verdade é uma só. Com tudo que está acontecendo, me sinto no dever de compartilhar, não só por mim, mas por todas que passaram por isso e pra que nenhuma outra venha a passar pelo mesmo.”

    O nome do André Galvão não aparece escrito nominalmente no texto dela. Ela usa “esse professor” e “o investigado”. Mas o contexto que ela apresenta deixa claro de quem ela tá falando. A imprensa especializada, Ag Fight, BJJ Cria e BJJ Bros, já cobriu nominalmente.

    Segue o relato da Andressa na íntegra, sem corte, sem edição, sem comentário no meio:

    📄 Relato público de Andressa Simas (21/05/2026)

    “Há aproximadamente 3 meses, durante as investigações do caso ‘Alexa Hersey’, por também ter vivido situações de assédio com o investigado, fui chamada a prestar esclarecimento junto à delegacia. Tentei abrir uma denúncia individual, mas na delegacia me foi dito que seria melhor deixar anexo ao caso da Alexa.”

    “Em sua casa, com a presença de sua família, fui tocada de formas inapropriadas sem o meu consentimento. Tentei me afastar desses toques, mas o comportamento continuou. Recebi um apelido de conotação sexual que me constrangeu imediatamente.”

    “Na semana seguinte, recebi mensagens no meu Instagram, em modo temporário, contendo uma foto minha malhando e comentário sobre o meu corpo. E este professor também afirmava que sua própria esposa estava dormindo.”

    “No ambiente de treino, esse professor intervia nas minhas duplas pra que eu treinasse com ele, especificamente em treino de NOGI, sempre em específico de costas e montada. Eu me sentia desconfortável e coagida porque não podia negar pois ele era ‘meu professor’.”

    “Depois de tudo isso, houve uma conversa entre o professor, a esposa e meu antigo namorado, na qual eu fui excluída, apesar do assunto ser sobre mim. Nessa conversa, o que foi feito comigo foi assumido, e também houve um pedido de desculpas ao meu até então namorado, ainda que acompanhado de justificativas.”

    “A justificativa apresentada, não diretamente a mim, foi de que este homem teria problemas com álcool e que quando bebia ‘ficava tarado’.”

    “Durante o período em que permaneci em silêncio, enfrentei distorções dos fatos, tentativas de descredibilização, xingamentos, inclusive vindos da esposa. E também ameaças relacionadas ao meu visto, justamente por eu ter falado com a Polícia.”

    “Minha companheira de treino que resolveu tornar isso público primeiro chegou a ser pressionada a assinar um termo, aonde deveria apagar a publicação do Instagram, retirar a denúncia na polícia e também não comentar mais sobre o caso.”

    “Países têm leis diferentes, e enquanto em um, o relato é suficiente, em outro, esse é meramente ponto de vista. Mas a verdade é uma só, e todos nós sabemos que entre uma faixa roxa e um professor múltiplas vezes campeão mundial, não é difícil saber onde a corda arrebenta.”

    O que esse relato muda e o que não muda

    Começando pelo que não muda.

    O caso da Alexa Hersey segue arquivado na esfera criminal em San Diego. Isso é fato. A decisão do Promotor de Justiça americano é o que é. André Galvão tem direito legítimo, na esfera legal, de retornar à vida profissional. Tem direito à presunção de inocência. Isso foi estabelecido aqui no canal em abril e continua valendo.

    A última posição pública conhecida da defesa do André Galvão, como um todo, segue sendo a nota oficial do escritório Hueso e Andrade que eu li aqui no canal em abril. Naquela nota, a defesa afirma que as acusações se revelaram desprovidas de qualquer fundamento, que o André segue com ficha limpa, primário, de bons antecedentes, e que aqueles que ofenderam a imagem dele deverão responder perante a justiça.

    Agora o que muda.

    Não tem mais como falar de “uma denúncia”. Agora são duas atletas, publicamente, com relatos próprios, sobre situações que descrevem padrão semelhante. A Andressa, no relato dela, inclusive afirma que foi chamada pela polícia americana durante a investigação do caso da Alexa, e que tentou abrir denúncia separada, mas foi orientada a anexar ao caso original. Se isso for verdade, significa que dentro do processo que foi arquivado, havia mais de uma voz registrada.

    Isso não desfaz o arquivamento. Mas muda a forma como a gente lê o arquivamento. Arquivamento criminal significa que o Promotor entendeu que não havia elementos suficientes pra abrir processo. Não significa, nunca significou, que nada aconteceu.

    Justiça criminal e verdade vivida não são a mesma coisa. Quem viveu, sabe o que viveu. Quem foi tocada sem consentimento, foi tocada sem consentimento, independente do que um Promotor a 10 mil quilômetros de distância decide fazer com os autos.

    O caso pode ser reaberto?

    Muita gente está perguntando isso. A resposta honesta é: em tese, sim. Mas até o momento dessa cobertura, eu não tenho informação pública de que isso esteja acontecendo.

    Nos Estados Unidos, quando o Promotor declina de apresentar acusação, o caso é arquivado administrativamente. Diferente de “transitado em julgado”. Se surgirem novas evidências, novas testemunhas, ou pedido formal da vítima, o caso pode ser reaberto. Não é decisão definitiva. Mas reabrir caso arquivado tem ônus alto. Depende de pedido formal, depende de decisão do Promotor, depende dele considerar que os novos elementos são significativos o suficiente. Quem decide é a autoridade americana.

    No caso da Andressa especificamente, se ela formalizou denúncia própria agora em maio, como ela diz no relato, esse é um processo novo, independente do caso da Alexa, que começa do zero.

    Quando essas informações virarem públicas, eu trago aqui no canal. Quem te disser com certeza absoluta que o caso vai ser reaberto, ou que não vai, está te enganando. Ninguém sabe ainda.

    💬 Sobre a IBJJF, de novo

    Eu disse no vídeo de fevereiro, a gente precisa de conselho de ética independente, canal externo de denúncia, protocolos formais de proteção pra alunos, atletas, funcionários. Disse de novo no vídeo do arquivamento, em abril. Agora digo de novo. A IBJJF segue omissa. Caso arquivado, caso aberto, caso novo: não importa. Ninguém na federação se mexe. Ninguém propõe. Ninguém implementa. Atleta competindo no Brasileiro enquanto outras atletas tornam público que viveram situações graves no tatame. E ninguém da federação aparece pra falar. Federação esportiva séria não depende de condenação criminal pra agir. A NBA não depende. A NFL não depende. Só não fazem aqui. Enquanto a IBJJF não acordar, esse canal vai continuar batendo. Sem exceção. Sem trégua. Sem cansaço.

    E pra mulher que tá assistindo em silêncio, que treina, que sente o tatame como o seu lugar e que tá balançada com mais essa cobertura. Eu disse isso pra Alexa. Eu disse isso à Andressa. Vou repetir aqui.

    A vergonha não é sua. Vergonha pertence a quem agride. Vergonha pertence a quem silencia. Vergonha pertence a quem ameaça visto, a quem manda assinar termo, a quem pressiona pra apagar publicação. Vergonha nunca vai pertencer a quem teve coragem de falar.

    Sobre o nosso compromisso aqui no canal e no site

    Em fevereiro eu divulguei a denúncia. Em fevereiro eu divulguei a defesa. Em abril eu trouxe o arquivamento oficial e a nota dos representantes do André. Em maio eu trouxe o relato da Andressa Simas. Esse é o trabalho, esse é o compromisso desse canal e desse site: acompanhar do início ao fim, com a mesma seriedade, lendo os documentos na íntegra, separando o que é fato do que é opinião.

    Se a defesa do André emitir nota sobre esse novo desdobramento, eu venho aqui e leio na íntegra. A porta tá aberta. Sempre.

    Se você tá passando por algo parecido com o que a Alexa ou a Andressa relataram, ou conhece alguém que tá passando, conte comigo. A página Muito Mais Ação Jiu Jitsu está à sua disposição. Se quiser conversar, desabafar, pedir orientação, manda DM lá no Instagram.

    🥋 Sua autonomia no tatame começa pela técnica

    Conhecimento técnico é o que sustenta confiança no Jiu Jitsu. Quanto mais técnica você domina, menos você depende de qualquer pessoa pra evoluir, e mais segurança você tem dentro do tatame. O Guia Completo para a Faixa Azul (GFA) é o mapa que ninguém te entrega no tatame: trilha estruturada de quedas, guardas, passagens, raspagens e finalizações, do zero até a azul, no conceito Simples e Eficiente. 1 ano de acesso pra consultar sempre que precisar.

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    Continue a Sua Jornada

    Outros conteúdos do site que valem a leitura:

    • Caso Melqui Galvão: a cronologia completa da prisão e investigação
    • Manual da Faixa Branca de Jiu Jitsu
    • Tipos de Guarda no Jiu Jitsu: o guia completo dos 16 estilos
    • Guia completo sobre raspagem no Jiu Jitsu
    • Golpes de Jiu Jitsu: nomes, descrições e exemplos
    • OSS: qual o verdadeiro significado dessa palavra

    Me conta nos comentários: você acha que a IBJJF deveria mudar a postura institucional dela em casos como esse? O que você esperaria de uma federação séria nessa situação?

    Forte abraço, tamo junto. Muito Mais Ação Jiu Jitsu, muito mais Jiu Jitsu pra você. OSS!

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    Oi, sou faixa preta de jiu-jitsu e criador de um dos maiores canais do YouTube sobre o esporte. Fui honrado como o melhor comentarista do ano pelo BJJStars, um marco na minha jornada emocionante e desafiadora. Para mim, o jiu-jitsu é mais do que um esporte, é um estilo de vida que transparece em cada uma das minhas postagens. Adoro escrever de maneira divertida e simples, principalmente para ajudar os iniciantes. Aqui, meu objetivo é que você leve consigo informação e conhecimento. Então, preparado para embarcar nesta jornada comigo?

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