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    Jiu Jitsu

    Caso Melqui Galvão: A Cronologia Completa da Prisão e Investigação

    jaimec.luzBy jaimec.luzmaio 15, 2026Nenhum comentário24 Mins Read
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    Melqui Galvão Jiu Jitsu
    Documento de referência sobre o caso Melqui Galvão, atualizado conforme novos fatos surgem.
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    O caso Melqui Galvão é um dos episódios mais graves da história do Jiu Jitsu brasileiro. Começou em abril de 2026 com uma prisão temporária decretada pela 2ª Vara de Crimes Contra a Criança e o Adolescente de São Paulo. Em poucos dias virou pauta nacional no Fantástico e no SBT Brasil, ganhou contornos ainda mais graves com o depoimento público da ex-atleta Brenda Larissa, e culminou (até o momento) na descoberta de que o acusado coagia testemunhas mesmo estando dentro da cela.

    Esse post é um documento atualizável. A cada novo desdobramento relevante, eu adiciono uma nova seção marcada com data. Quem chegar aqui pela primeira vez consegue entender o caso do início ao fim. Quem já acompanha consulta os fatos novos cronologicamente.

    Toda informação aqui é baseada em documento oficial, reportagem de veículo de imprensa estabelecido, nota oficial divulgada pelas instituições envolvidas, ou pronunciamento público dos próprios envolvidos. Quando for opinião minha, está claramente marcado como tal.

    ⚠️ Aviso importante: Esse caso envolve denúncias de crimes contra crianças e adolescentes. Não citamos os nomes das vítimas protegidas por lei. A única vítima identificada nesse post é Brenda Larissa, que se expôs voluntariamente em vídeo público no Instagram dela em maio de 2026. Mesmo assim, tratamos o relato dela com a sensibilidade necessária. Esse post não é entretenimento, é serviço público.
    📌 Conteúdo do documento (ordem cronológica)
    • Quem é Melqui Galvão (contexto rápido)
    • Ato 1: A prisão temporária (23 de abril de 2026)
    • O áudio vazado para o pai da primeira vítima
    • As notas oficiais da BJJ College e da CBJJE
    • Ato 2: Brenda Larissa quebra 14 anos de silêncio
    • As três denunciantes formais e a reportagem do Fantástico
    • O padrão de conduta descrito pela polícia
    • Ato 3: A coação dentro da cadeia (SBT Brasil, maio de 2026)
    • A nota da Polícia Civil sobre Enoque Galvão
    • A versão pública de Mica Galvão
    • A cobrança institucional à IBJJF e CBJJ
    • Orientações pra pais, alunas e a comunidade do tatame
    🗓️ Linha do tempo do caso (até o momento)
    • 23 de abril de 2026: Magistrado Fernando Oliveira Camargo, da 2ª Vara de Crimes Contra a Criança e o Adolescente de São Paulo, decreta prisão temporária de Melquezedec de Lima Galvão Ferreira pelo prazo de 30 dias.
    • 23 de abril de 2026 (noite): Melqui Galvão se entrega na delegacia de Manaus.
    • Dias seguintes: Áudio atribuído a Melqui circula publicamente, enviado ao pai da primeira denunciante. BJJ College e CBJJE divulgam notas oficiais afastando o acusado.
    • Maio de 2026: Brenda Larissa, ex-atleta da equipe, publica vídeo de mais de 20 minutos no Instagram rompendo 14 anos de silêncio.
    • Maio de 2026: Fantástico vai ao ar com reportagem de Claus Barbosa entrevistando duas das três denunciantes formais. Delegada Mariane Andrade descreve em rede nacional o “padrão de conduta” identificado pela investigação.
    • 2 e 4 de maio de 2026: Polícia Civil do Amazonas realiza inspeções internas após denúncia de entrada irregular de celular na unidade de custódia.
    • Maio de 2026: Deputada estadual Alessandra Campelo sobe à tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas e divulga vídeo de Melqui fazendo videochamada de dentro da cela coagindo uma testemunha.
    • Maio de 2026: Polícia Civil do Amazonas confirma em nota oficial indícios de participação do servidor Enoque Galvão, irmão de Melqui e policial civil, na facilitação do acesso. Enoque é afastado das funções.
    • Maio de 2026: SBT Brasil divulga reportagem com áudios exclusivos da carceragem. Mica Galvão se pronuncia publicamente nos comentários da rede BJJ Cria.
    • Maio de 2026: Total de sete denunciantes formais em diferentes regiões do Brasil. Investigação segue em curso.

    Quem é Melqui Galvão

    Pra quem chegou agora e não conhece o universo do Jiu Jitsu, vale o contexto rápido. Melqui Galvão, faixa preta, é professor fundador da BJJ College, rede de academias com unidades em Manaus, São Paulo e Jundiaí. É reconhecido por ter formado alguns dos maiores fenômenos do Jiu Jitsu mundial dos últimos anos, entre eles seu filho Mica Galvão, considerado por muitos o melhor faixa preta da atualidade, e Diogo “Baby Shark” Reis, outro fenômeno do esporte.

    A história da equipe de Manaus era contada por todo o Jiu Jitsu brasileiro como uma das mais bonitas: um projeto social que tirou crianças da rua e transformou em campeões mundiais. Eu mesmo, aqui no canal, fiz vídeos sobre Mica Galvão antes do Mica ser o Mica. Acreditei nessa história. Fiz parte dessa história. É exatamente por isso que tudo o que vou relatar a partir de agora dói tanto.

    Ato 1: A prisão temporária (23 de abril de 2026)

    No dia 23 de abril de 2026, o magistrado Fernando Oliveira Camargo, da 2ª Vara de Crimes Praticados contra a Criança e o Adolescente da Comarca de São Paulo, decretou a prisão temporária de Melquezedec de Lima Galvão Ferreira (esse é o nome completo de Melqui Galvão no documento oficial) pelo prazo de 30 dias.

    A prisão se baseia em quatro artigos do Código Penal Brasileiro:

    📌 Artigos do Código Penal Brasileiro citados no mandado

    Artigo 147 (Ameaça): ameaçar alguém de causar mal injusto e grave.

    Artigo 154-A (Invasão de dispositivo informático): invadir celular, computador ou sistema sem autorização.

    Artigo 215-A (Importunação sexual): praticar ato libidinoso contra alguém sem o consentimento.

    Artigo 217-A (Estupro de vulnerável): relação sexual com menor de 14 anos ou pessoa sem capacidade de consentir.

    Melqui Galvão se entregou na delegacia de Manaus na noite do dia 23 de abril, por volta das 21 horas. A vara que decretou a prisão é especializada em crimes contra crianças e adolescentes. Conforme jornalistas que acompanham o caso, a investigação segue em curso.

    Esse foi o vídeo em que eu trouxe a primeira cobertura do caso aqui no canal, logo após a prisão:

    O áudio vazado para o pai da primeira vítima

    Pouco depois da prisão, começou a circular publicamente um áudio atribuído a Melqui Galvão, enviado por ele ao pai da primeira denunciante. O áudio tem mais de 13 minutos. Eu ouvi ele completo.

    É importante registrar: o áudio está sendo atribuído a Melqui. A perícia técnica oficial pode ou não ser divulgada futuramente. A defesa dele pode contestar a autenticidade. O que vou relatar abaixo é baseado no áudio público em circulação.

    Cinco pontos desse áudio merecem registro:

    1) A abertura do áudio como uma admissão

    Melqui começa o áudio dizendo, em suas próprias palavras: “Estou completamente arrependido, totalmente angustiado. Não dormia ontem por causa do que fiz.” A própria abertura levanta a pergunta: quem se arrepende de algo que não fez? Quem perde o sono por uma calúnia?

    2) A tentativa de transferir parte da culpa para a adolescente

    Em outro trecho, ele afirma: “Alguns tratamentos que ela teve em relação à minha pessoa são tratamentos diferentes de uma aluna pra um professor. Ela me tratava de uma maneira que nenhuma aluna minha me tratava. E isso me levou a crer que existia alguma coisa ali além de um sentimento aluna-professor.”

    Vale lembrar que a denunciante é uma adolescente. Ele é um homem casado, com 40 e poucos anos, professor e líder de equipe.

    3) A oferta de uma academia em Orlando

    Aqui o áudio sai de “drama pessoal” pra outro patamar. Melqui oferece ao pai da menina uma academia em Orlando, nos Estados Unidos. Diz que tem investidor, que cuida da documentação, que a filha entraria como sócia, que “a vida deles estaria completamente mudada”. Em troca de quê? Da menina permanecer treinando até o Mundial, dele não ser denunciado, da marca não cair.

    Ele literalmente diz, em suas palavras: “Me denunciar hoje, Luís, vai fazer o meu nome ruir. Como o meu nome está ligado à marca, a marca inteira vai cair.”

    4) A oferta da própria vida

    Em determinado momento do áudio, Melqui oferece ao pai da denunciante que tire a vida dele. Diz que anda de moto, que “dá pra simular um assalto”. Justifica falando que tentou fazer isso antes, mas a família impediu, e que se ele tirasse a própria vida “tudo viria à tona”, então fazer “dessa forma” seria mais conveniente.

    5) A admissão do toque

    Ao final do áudio, Melqui tenta limitar o que aconteceu. Em suas próprias palavras: “Eu não coloquei a mão por baixo da blusa da sua filha. Ela estava deitada em cima da Ana. A barriga dela estava aparecendo e eu toquei a barriga dela. Eu toquei rapidamente. Achei que ela estivesse dormindo. Uns três segundos, talvez, no máximo.”

    Ele também afirma no mesmo áudio que havia dado melatonina pra adolescente naquela ocasião.

    💬 Minha leitura do áudio

    Esse áudio, na minha leitura, não é uma conversa qualquer. É admissão, manipulação e ameaça, tudo ao mesmo tempo. A estrutura da fala segue um padrão clássico: primeiro nega, depois minimiza, depois transfere parte da responsabilidade pra vítima. Em qualquer país do mundo, oferecer benefício financeiro à família da vítima em troca de silêncio é considerado crime. Cabe à justiça decidir se isso configura tentativa de obstrução, mas o áudio, no mínimo, levanta a pergunta. Quem vai dar a palavra final é a justiça brasileira.

    As notas oficiais da BJJ College e da CBJJE

    Logo após a prisão, duas notas oficiais foram divulgadas. A primeira, da BJJ College, rede de academias liderada por Melqui:

    📄 Nota oficial da BJJ College

    A assessoria da Rede de Escolas informa que o professor Melqui Galvão foi afastado da liderança da rede, sendo o caso atualmente tratado exclusivamente pelas vias legais, com acompanhamento da equipe jurídica. O procedimento tramita sob sigilo, em respeito às normas legais e com objetivo de resguardar a todos os envolvidos.

    Por orientação jurídica, neste momento, não haverá pronunciamentos públicos até que os fatos sejam devidamente apurados pelas autoridades competentes. A liderança da equipe passa a ser exercida por Mica Galvão e Diogo Reis, em conjunto com a equipe de professores, assegurando a continuidade das atividades e a manutenção dos padrões técnicos e institucionais da rede.

    A BJJ College segue com suas atividades normalmente, contando com uma equipe sólida de professores e atletas comprometidos em oferecer ensino de qualidade, com seriedade, ética e responsabilidade.

    A segunda nota é da CBJJE (Confederação Brasileira de Jiu Jitsu Esportivo), que tomou conhecimento do caso:

    📄 Nota oficial da CBJJE

    A CBJJE tomou conhecimento das denúncias de conduta inadequada e do mandado de prisão envolvendo o professor Melqui Galvão. Reafirmamos: não há espaço para qualquer tipo de abuso e assédio dentro do Jiu Jitsu. Como medida imediata, o professor está afastado de todas as atividades vinculadas à confederação.

    💬 Sobre o afastamento preventivo

    A CBJJE adotou em poucas horas, antes de qualquer sentença, o protocolo de suspensão preventiva. Esse é exatamente o tipo de postura que eu tenho cobrado das federações desde o caso André Galvão x Alexa Hersey: quando há denúncia formal grave com boletim de ocorrência, o suspenso é afastado preventivamente das atividades institucionais até o esclarecimento do caso. A CBJJE deu o exemplo. A IBJJF e a CBJJ, até o momento dessa publicação, não se manifestaram da mesma forma.

    📖 Leia também Caso André Galvão x Alexa Hersey: da denúncia ao arquivamento

    Ato 2: Brenda Larissa quebra 14 anos de silêncio

    Em maio de 2026, dias após a prisão, uma ex-atleta da equipe de Melqui Galvão veio a público com um depoimento que mudou completamente a dimensão do caso. Brenda Larissa, 26 anos, campeã mundial de Jiu Jitsu na faixa azul, treinou na equipe de Melqui dos 12 aos 22 anos.

    Brenda saiu da equipe em 2023, junto com seu ex-namorado, após uma briga em quadra. E agora, em maio de 2026, publicou no Instagram dela um vídeo de mais de 20 minutos contando a história dela desde os 12 anos de idade. Ela mostrou a cara, detalhou os fatos, e disse uma frase que ficou marcada:

    “Eu sinto a dor de vocês. Eu passei também por isso.” — Brenda Larissa

    O depoimento dela é extenso, doloroso, e merece ser ouvido na íntegra na fonte original (vídeo no Instagram da Brenda). Aqui no canal, eu compilei e contextualizei os principais pontos:

    O início, segundo o relato de Brenda

    Brenda conta que, aos 12 anos, entrou no projeto social da equipe. Filha de mãe solteira, sem casa fixa na época, caminhava uma hora até a academia, muitas vezes sem comer. Segundo o relato dela, foi nesse contexto que Melqui se aproximou: conheceu a família, viu a situação de vulnerabilidade, ofereceu escola particular com bolsa de estudo (a mesma escola dos filhos dele), quimono, inscrição em campeonatos. Brenda e a mãe acreditaram que era um projeto social, uma oportunidade.

    Segundo o depoimento dela, em determinado momento Melqui teria dito que “não era de graça” e que ela “ia ter que pagar”. E, em suas palavras, “paguei da pior forma possível”.

    A descoberta de que não era a única

    Brenda diz que durante anos achou que era a única. Aos 16 anos, segundo o relato dela, descobriu que havia outras meninas vivendo a mesma situação dentro da equipe. E foi a partir dessa descoberta que o restante da história se desdobra: a esposa do treinador teria começado a desconfiar, e segundo o relato de Brenda, foi armado um falso namoro com um menino da equipe para disfarçar a situação.

    As mensagens após a saída

    Brenda saiu da equipe em 2023. Mas, segundo o relato dela, as mensagens dele continuaram por anos. No aniversário dela, em 9 de fevereiro de 2026 (dois meses e meio antes da prisão), ela teria recebido uma mensagem com uma foto dela criança e a frase: “Me desculpa pelos meus erros do passado, me desculpa por eu não ter sido o pai que você deveria ter tido.” Brenda relata que, a partir dessa mensagem, recebeu outras propostas, incluindo a de uma academia e ajuda pra ser campeã das grandes competições.

    O motivo do vídeo público

    No vídeo dela, Brenda revela algo que dimensiona ainda mais o que aconteceu. Em suas próprias palavras:

    “Eu tô fazendo esse vídeo aqui por mim. Eu tô fazendo esse vídeo pela minha irmã. Ele abusou da minha irmã também. Ele estuprou ela também, assim como ele fez comigo.” — Brenda Larissa

    As três denunciantes formais e a reportagem do Fantástico

    O Fantástico foi ao ar com reportagem do jornalista Claus Barbosa, ouvindo duas das três denunciantes formais que motivaram a prisão temporária. Pra deixar bem claro: pela investigação, são três denúncias oficializadas, não apenas uma como alguns boletins iniciais informaram.

    A primeira vítima ouvida pelo Fantástico (hoje maior de idade) relatou em rede nacional que começou a treinar com Melqui aos 7 anos. Segundo ela, os assédios começaram aos 12. E aos 14, em suas próprias palavras:

    📺 Depoimento ao Fantástico (vítima 2, identidade preservada)

    “Aconteceu aos meus 14 anos, que foi quando ele realmente teve o ato de ter relação sexual comigo. Ele sempre quis passar pra mim que era uma situação muito normal, que ele já tinha relações com outras alunas.”

    A terceira denunciante preferiu não gravar entrevista, mas relatou um detalhe particularmente cruel à polícia: segundo o depoimento dela, Melqui restringia a alimentação das atletas em preparação pra campeonatos (o que, em si, seria normal no contexto esportivo), mas teria sugerido que poderia liberar um doce em troca de algum tipo de aproximação.

    O padrão de conduta descrito pela polícia

    A delegada Mariane Andrade, responsável pela investigação, descreveu em rede nacional o padrão identificado pelas autoridades. Em suas próprias palavras no Fantástico:

    🚔 Delegada Mariane Andrade — Fantástico

    “A gente percebe a existência desse padrão de conduta que consiste em uma aproximação inicial devido à figura de líder, de um atleta renomado. Ele então passa, ele ganha a confiança da vítima, dos familiares, e aí ele vai escalonando as condutas, passando então pra atos de assédio, abusar sexualmente das vítimas. E eu não quero realmente perder tudo que eu construí, tentando silenciar a vítima, a família, tentando ocultar provas.”

    Quando se compara o padrão descrito pela polícia com o relato público de Brenda Larissa e com o depoimento das outras vítimas ouvidas pelo Fantástico, a estrutura é a mesma: aproximação pela figura do líder, conquista da confiança da família vulnerável, escalonamento das condutas, e silenciamento.

    Há ainda um detalhe revelado pela investigação que ajuda a entender por que tantas vítimas se calaram por tantos anos. Segundo a delegada, Melqui Galvão teria usado o cargo de policial civil (que ele tinha além da função de treinador) para intimidar as adolescentes. Uma das vítimas relatou ter ouvido dele a frase: “Se você denunciar, eu vou saber, porque eu sou policial civil.”

    💬 Por que o silêncio durou tanto tempo

    Pra uma adolescente de 12, 14 ou 16 anos, de origem pobre, denunciar um homem que é treinador, professor, líder espiritual da equipe E policial civil, é praticamente impossível. Não é falta de coragem da vítima, é sobra de ambiente protegendo o agressor. Brenda Larissa se calou por 14 anos. Uma das vítimas ouvidas pelo Fantástico se calou por mais de 10 anos. Esse é o tamanho da estrutura de medo que foi construída.

    Ato 3: A coação dentro da cadeia (maio de 2026)

    Esse foi o capítulo mais chocante até o momento. A deputada estadual do Amazonas Alessandra Campelo subiu à tribuna da Assembleia Legislativa e divulgou um vídeo onde aparece Melqui Galvão fazendo uma videochamada de dentro da carceragem da Delegacia Geral de Manaus. Ele continuava preso, atrás das grades, mas o celular havia sido introduzido ilegalmente na unidade.

    O SBT Brasil, com reportagem de César Filho, Fábio Diamante e Robson Cerântula, foi ao ar com áudios exclusivos das ligações feitas de dentro da cela. Em uma das gravações, segundo a reportagem, Melqui diz a uma pessoa, em suas próprias palavras:

    📞 Trecho de áudio divulgado pelo SBT Brasil

    “É o único caminho de levantar você. Vai te alavancar e você vai ter seu espaço próprio daqui algum tempo, entendeu? O Mica vai te ajudar e você fazendo isso comigo, você vai estar me honrando. Minha prisão tem data pra sair, só é uma prisão temporária, é uma prisão de 30 dias. Em 30 dias eu tô solto. Eu vou me levantar, mas eu preciso fazer isso com você.”

    Em outro trecho da mesma reportagem, segundo o SBT, Melqui teria dito sobre a denunciante:

    📞 Trecho de áudio divulgado pelo SBT Brasil

    “Precisa mostrar alguma coisa da intimidade, mostrar pra juíza que ela não é uma menina. Que toquei na barriga dela. Ela nem falou isso. Como é que eu tô preso por tocar na barriga de alguém, velho? Pelo amor de Deus.”

    A nota oficial da Polícia Civil sobre Enoque Galvão

    Após a denúncia da deputada Alessandra Campelo, a Polícia Civil do Estado do Amazonas divulgou nota oficial confirmando os fatos:

    📄 Nota oficial — Polícia Civil do Amazonas

    A Polícia Civil do Estado do Amazonas informa que, tão logo tomou conhecimento da entrada irregular de aparelho celular em dependências da unidade de custódia, adotou imediatamente medidas administrativas pra rigorosa apuração dos fatos. A instituição esclarece que foram realizadas inspeções internas no dia 2 de maio e, posteriormente, vistoria acompanhada pelo Ministério Público no dia 4 de maio.

    Após as verificações preliminares, foram identificados indícios de participação de um servidor, Enoque Galvão, irmão do custodiado, relacionados à facilitação do ingresso de terceiro não autorizado na unidade. O servidor responderá aos procedimentos administrativos disciplinares cabíveis junto à Corregedoria Geral da Polícia Civil do Amazonas e foi afastado das suas funções operacionais.

    Resumindo: Enoque Galvão, irmão de Melqui e também policial civil, é apontado em nota oficial como responsável por facilitar o ingresso do celular na unidade de custódia. Ele foi afastado das funções e responde administrativamente.

    A apologia ao estupro num áudio paralelo

    No mesmo pronunciamento na Assembleia Legislativa, a deputada Alessandra Campelo divulgou outro áudio (esse de pessoa diferente, supostamente um defensor de Melqui em conversa privada que vazou) banalizando o estupro de criança. O áudio fala, em síntese, que em Manaus “menina de 12, 13 anos já é mulher” e que tratar o caso como crime seria “exagero”.

    💬 Sobre a apologia ao estupro

    Isso não é defesa, é apologia ao estupro. A lei brasileira é clara: menor de 14 anos não consente. Não importa a cultura local, não importa onde a pessoa mora. Relação sexual com menor de 14 anos é estupro de vulnerável, e ponto. A deputada falou que quer identificar essa pessoa pra denunciar ao Ministério Público.

    A versão pública de Mica Galvão

    A reportagem do SBT Brasil revelou que, segundo as gravações entregues à polícia, em uma das ligações estavam na linha Melqui, sua esposa Débora e o filho Mica Galvão. Segundo a narração da reportagem, eles teriam falado sobre compra de passagem para que uma pessoa viajasse a Manaus pra prestar depoimento.

    Após a reportagem ir ao ar, Mica Galvão se pronunciou publicamente nos comentários da publicação da rede BJJ Cria sobre o caso, em sua conta verificada do Instagram. Em respeito ao princípio do contraditório e à presunção de inocência, reproduzo aqui na íntegra a versão pública dele:

    💬 Manifestação pública de Mica Galvão

    “Eu estava sentado à mesa perto da minha mãe quando ligaram para ela, pessoa que ia prestar o depoimento, e me perguntaram se tal pessoa conseguia pegar o voo pra ir pra Manaus prestar o depoimento. E eu disse que não daria tempo de chegar a Viracopos pelo horário, mas já assumem que eu sabia de alguma coisa por ter respondido uma pergunta.”

    “Além disso, não falei em momento algum de comprar passagem, tanto que lembro bem de falar que se a pessoa quisesse ir a Manaus prestar depoimento, teria que ir num voo no dia seguinte.”

    Em comentário separado, Mica também escreveu: “Infelizmente tive alguém que era meu alicerce desde o início da minha vida, mas percebi que era só um peão no jogo.”

    💬 Como esse canal trata o Mica Galvão

    Mica Galvão tem direito ao contraditório e à presunção de inocência, como qualquer cidadão. Ele se manifestou publicamente, deu sua versão, e essa versão está integralmente registrada aqui. Não cabe a esse canal afirmar se ele sabia ou não sabia do contexto da ligação. Quem decide isso é a justiça. O que esse canal faz é registrar os fatos divulgados pela imprensa e a defesa pública do Mica, com a mesma régua que aplicamos a qualquer outro envolvido. A frase “peão no jogo” é dele, foi dita publicamente, e parece indicar como ele está enxergando o próprio papel nessa história após tudo que veio à tona.

    A cobrança institucional à IBJJF e CBJJ

    Esse tópico não é parte específica do caso Melqui Galvão, mas é parte central do que esse canal vem defendendo desde o caso André Galvão x Alexa Hersey em fevereiro de 2026. Em poucos meses, o Jiu Jitsu brasileiro viveu duas crises de conduta de altíssima gravidade, e nada mudou estruturalmente no sistema federativo entre uma crise e outra.

    A CBJJE deu o exemplo na velocidade de afastamento. A BJJ College também afastou Melqui da liderança. Mas a IBJJF e a CBJJ seguem sem postura institucional efetiva diante de casos como esse.

    Por isso eu venho repetindo, vídeo a vídeo, as propostas concretas que considero mínimas pra qualquer federação séria implementar:

    📌 Propostas concretas pras federações de Jiu Jitsu

    1) Conselho de ética independente, formado por advogados, psicólogos e especialistas em compliance que não devam favores a equipes ou professores famosos.

    2) Protocolo de suspensão preventiva automático em caso de denúncia formal com boletim de ocorrência (como a CBJJE fez).

    3) Canal de denúncia externo e anônimo, gerenciado por empresa independente, auditável. Não pode ser e-mail interno da federação.

    4) Formação obrigatória em prevenção de assédio e abuso como pré-requisito pra obtenção do certificado de faixa preta (junto com a apresentação de antecedentes criminais).

    5) Certificado de “Academia Segura” emitido pela federação pra academias que ofereçam aulas particulares exclusivamente femininas em horários determinados, canal interno anônimo de denúncia, e professores com curso de prevenção.

    💬 O ponto que precisa ficar claro

    Não é cobrar a federação por fiscalizar diretamente as academias. A federação não é a polícia. O que se cobra é a federação dar ferramentas pra que a próxima vítima tenha pra onde correr fora da estrutura que protege o agressor. Hoje, quando uma menina é abusada dentro da academia, a única opção dela é denunciar dentro da própria estrutura que protege o abusador. Um canal externo anônimo da federação muda completamente esse jogo.

    Orientações pra pais, alunas e a comunidade do tatame

    Esse caso, por envolver crianças e adolescentes, exige que a gente fale também com quem está dentro do tatame agora ou tem filhos treinando. Três orientações concretas:

    Pra pais e mães

    Converse com seus filhos hoje, não amanhã. Sem dramatizar, sem julgar. Pergunte como ele se sente na academia, se tem algum professor ou colega que ele fica desconfortável, se alguém adulto já cruzou alguma linha. Observe o ambiente da academia: as aulas são só com professor homem? Você pode assistir as aulas? Existem treinos que rolam fora da academia, na casa de professor, em hotel, em viagem? A academia tem câmeras? Tem política clara sobre contato físico apropriado? Se a resposta de qualquer uma dessas perguntas te deixa desconfortável, isso já é o primeiro sinal.

    Conheça os professores. Não só pelo nome. Pergunte pra comunidade, procure no Google, veja se tem reclamação anterior, alguma conversa antiga que sumiu, nome que volta e meia aparece em fofoca. A maioria dos abusadores deixa rastro. Quase sempre foi protegido pelo ambiente, mas o rastro existe.

    Pra mulheres, meninas e ex-atletas

    Se você passou por algo parecido com o que está sendo relatado nesse caso, você não está sozinha. Existem canais de denúncia, advogados, projetos especializados em apoio a vítimas, psicólogos voluntários. Você não precisa carregar isso sozinha. A vergonha não pertence à vítima. A vergonha pertence ao agressor.

    Se algum professor, colega ou alguém mais graduado já cruzou uma linha contigo, não normalize. Não aceite quando te disserem que “é o jeito dele”. Não engula quando disserem que “vai prejudicar a equipe”. A equipe já está prejudicada por ter um agressor dentro dela. Denunciar é só mostrar pro mundo o que já estava acontecendo.

    Pra comunidade do tatame (professores, atletas, alunos)

    Se você sabe de alguma coisa em alguma academia, em alguma cidade, denuncie. Você não é fofoqueiro por questionar, você é responsável. Se você sabe e não faz nada, você é cúmplice. Entenda isso de uma vez. O silêncio é cumplicidade.

    Como esse canal vai cobrir o caso daqui pra frente

    O caso Melqui Galvão está em curso. Investigação aberta, denúncias chegando, sete denunciantes formais já registradas em diferentes regiões do Brasil, possível conversão da prisão temporária em preventiva por causa da coação dentro da cela, investigação interna na Polícia Civil do Amazonas, e potenciais novos capítulos pela frente.

    Esse post é um documento atualizável. A cada novo capítulo relevante, eu volto aqui e adiciono uma seção nova marcada com data. Quem chega novo consegue ler tudo do início. Quem já acompanha consulta apenas as atualizações novas.

    O compromisso desse canal e desse site é o mesmo desde o início: cobrir com a mesma seriedade, do início ao fim. Não passar pano pra ninguém. Defender as vítimas. Cobrar das federações. Proteger as crianças no tatame.

    📖 Leia também Caso André Galvão x Alexa Hersey: da denúncia ao arquivamento

    Continue a Sua Jornada

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    • Caso André Galvão x Alexa Hersey: cobertura completa
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    • Tipos de Guarda no Jiu Jitsu: guia completo dos 16 estilos
    • OSS: qual o verdadeiro significado dessa palavra

    É isso aí, guerreiros. Me conta nos comentários: qual mudança institucional você considera mais urgente pro Jiu Jitsu brasileiro depois desse caso? Por favor, comentários sempre com respeito. Comentários ofensivos serão excluídos.

    A vergonha não é da vítima. A vergonha pertence ao agressor. E o tempo da impunidade no Jiu Jitsu acabou.

    Forte abraço, tamo junto. Muito Mais Ação Jiu Jitsu, muito mais Jiu Jitsu pra você. OSS!

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    Oi, sou faixa preta de jiu-jitsu e criador de um dos maiores canais do YouTube sobre o esporte. Fui honrado como o melhor comentarista do ano pelo BJJStars, um marco na minha jornada emocionante e desafiadora. Para mim, o jiu-jitsu é mais do que um esporte, é um estilo de vida que transparece em cada uma das minhas postagens. Adoro escrever de maneira divertida e simples, principalmente para ajudar os iniciantes. Aqui, meu objetivo é que você leve consigo informação e conhecimento. Então, preparado para embarcar nesta jornada comigo?

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