Cara, se você treina Jiu Jitsu, em algum momento da sua vida você já tomou um Golpe Ezequiel. Ou aplicou. Não tem como passar pela jornada do faixa branca pra azul sem encontrar esse estrangulamento, ou tomando dele ou aprendendo a se defender. Ele é, com toda certeza, um dos golpes mais populares da guarda fechada do Jiu Jitsu mundial. E a história desse estrangulamento é mais maluca do que a maioria das pessoas imagina.
Porque o Golpe Ezequiel no Jiu Jitsu não foi inventado no Jiu Jitsu. Ele veio do Judô. E mais ainda: o nome original não é Ezequiel. É Sode Guruma Jime, e tem registro de uso anterior à própria criação do judô. Então como é que esse golpe ganhou o nome de Ezequiel no Jiu Jitsu? Quem foi Ezequiel? Por que esse nome pegou tanto que hoje nem o pessoal do Judô lembra direito do nome original?
Cola aqui que vou te contar essa história inteira, e ainda vou te mostrar o vídeo que eu fiz no canal explicando tudo no detalhe.
O que é o Golpe Ezequiel no Jiu Jitsu
Pra quem não conhece ainda, o Ezequiel é um estrangulamento. Mas é um tipo de estrangulamento diferente da maioria, porque ele usa um detalhe que só o Jiu Jitsu, o Judô e algumas artes marciais com kimono têm: a manga do uniforme.
A mecânica básica é a seguinte. Você abraça a cabeça do adversário com um dos braços. A mão desse braço que está abraçando vai pra dentro da manga do outro braço. Esse outro braço é colocado no pescoço do adversário, fazendo pressão. O resultado é um estrangulamento usando o antebraço de um lado e a pegada na manga do outro lado pra travar tudo. Simples no conceito, devastador na execução.
É um daqueles golpes que todo faixa branca toma várias vezes antes de aprender a se defender. E quando aprende, vira uma das primeiras finalizações que ele aplica nos parceiros de academia. Pelo simples motivo de que quase ninguém na faixa branca espera tomar Ezequiel partindo da guarda fechada.
A origem real do golpe: Sode Guruma Jime
E aqui vem a parte que pouca gente sabe. O Ezequiel não foi inventado no Jiu Jitsu. Cara, ele é mais antigo que o nosso esporte. Esse estrangulamento vem do Judô, e algumas referências históricas dizem que ele é até anterior à criação do próprio Judô, vindo das escolas tradicionais de Ju Jutsu japonês.
O nome original em japonês é Sode Guruma Jime. Olha a etimologia que é interessante:
Sode Guruma Jime: o significado real
Sode = manga (do uniforme)
Guruma = roda
Jime = estrangulamento
Tradução completa: “Estrangulamento Rodado de Manga”. O nome descreve perfeitamente a mecânica: você “roda” o aperto usando a manga como ferramenta.
Lá no Judô, esse golpe faz parte do arsenal de newaza, que é como os judocas chamam a luta de chão. E historicamente, o newaza não era tão valorizado quanto o jogo em pé na competição de Judô, então muitas técnicas de chão acabaram migrando pra outras artes marciais que tinham mais foco no solo. O Jiu Jitsu brasileiro foi um desses destinos.
Mas a pergunta que fica é: se o golpe veio do Judô e o nome japonês é Sode Guruma Jime, como é que ele virou “Ezequiel” no nosso esporte? E é aí que entra a história mais interessante.
Quem foi Ezequiel Paraguassu
O nome “Ezequiel” no Jiu Jitsu veio do judoca brasileiro Ezequiel Paraguassu. Foi uma pessoa real, faixa preta de Judô, atleta de seleção. E foi por causa dele que esse golpe ganhou novo nome dentro da arte suave.

O cara estava se preparando pra disputar as Olimpíadas de Seul em 1988. Atleta de alto nível, sério, com a cabeça boa. E o Ezequiel tinha uma característica diferente da maioria dos judocas da época: ele gostava muito de treinar chão, o newaza. Quando treinava no chão, era ali que ele dava o trabalho.
Agora pensa comigo. O cara é judoca, está se preparando pra Olimpíada, mas adora chão. Onde é que o cara vai treinar pra evoluir o jogo de solo? Cara, no Brasil dos anos 80, só tinha um lugar de excelência pra isso: com os faixas pretas de Jiu Jitsu no Rio de Janeiro.
A chegada no Rio e a academia do Carlson Gracie
Ezequiel pegou as malas e foi pro Rio. Procurou o saudoso Mestre Carlson Gracie. Conversou com ele, explicou que queria treinar chão pra melhorar o newaza pra Olimpíada. E o Carlson, do jeito generoso que era, abriu as portas da academia dele. Disse pro Ezequiel treinar com os faixas pretas da Carlson Gracie Team à vontade.
E aqui começa a parte engraçada. Imagina o Ezequiel, judoca de alto nível, indo pro tatame do Carlson Gracie enfrentar os caras que faziam Jiu Jitsu o tempo inteiro. Ele sentiu uma dificuldade absurda pra sair da guarda fechada. Não conseguia abrir, não conseguia desenvolver o jogo, não conseguia aplicar os golpes de chão dele. Os faixas pretas da Carlson eram tão bons com a guarda fechada que travavam o cara dentro e ele ficava lá, sem saber o que fazer.
No meio dessa frustração, o Ezequiel teve que improvisar. Foi forçado a achar uma solução de dentro da guarda fechada, com o adversário totalmente fechado em volta dele. Já que ele não conseguia escapar, ele lembrou de uma técnica que tinha do Judô: o Sode Guruma Jime, aquele estrangulamento que usa a manga.
Começou a aplicar de dentro da guarda fechada. Abraçava a cabeça do adversário, enfiava a mão na própria manga, jogava o antebraço no pescoço e apertava. E adivinha o que aconteceu? Os faixas pretas de Jiu Jitsu, mesmo sendo monstros do esporte, não conheciam o golpe. Vários começaram a bater. Cara, foi um estrago. Imagina a cena: o judoca que estava lá pra aprender Jiu Jitsu começou a finalizar os faixas pretas usando uma técnica de Judô que ele já dominava.
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Cara, a história do Ezequiel mostra uma coisa importante: conhecer o golpe é o que separa quem finaliza de quem é finalizado. E mais importante ainda é saber em que momento aplicar e como se defender. Foi pensando em quem tá começando agora que eu criei o Guia Completo pra Faixa Azul (GFA). É o mapa que ninguém te entrega no tatame: quedas, passagens, raspagens, finalizações, defesas, tudo organizado em trilha lógica. 1 ano de acesso pra consultar quando precisar.
Como o nome “Ezequiel” pegou no Jiu Jitsu
Depois desse estrago todo, o Ezequiel mostrou o golpe pra galera da academia. Ensinou a mecânica. Mostrou o detalhe da mão dentro da manga, a pressão certa, o ângulo. E os atletas do Jiu Jitsu, que sempre foram apaixonados por aprender coisa nova, absorveram a técnica rapidão.
Aí, quando alguém caía na guarda fechada num treino, os professores ou a galera de fora começavam a gritar:
Era isso. “A do Ezequiel” virou apelido. Depois “do Ezequiel” foi virando só “Ezequiel”. E daí em diante, mesmo quem não sabia que existia uma técnica chamada Sode Guruma Jime já estava aplicando ela sob o nome novo. O nome pegou tão forte que hoje muita gente do próprio Judô, no Brasil, chama esse estrangulamento de Ezequiel. É a marca registrada que ficou.
Eu fiz um vídeo no canal contando essa história inteira, com detalhe e contexto. Cola pra assistir, é exatamente sobre a origem do Ezequiel no Jiu Jitsu:
Como aplicar o Golpe Ezequiel
Beleza, agora que você sabe a história, vamos falar da prática. O Ezequiel pode ser aplicado em várias posições, mas a mais comum, e a versão original que o Ezequiel Paraguassu aplicava na Carlson Gracie, é a de dentro da guarda fechada. Tem outras variações partindo do quatro apoios, das costas, e até de cima. Mas vamos focar na principal.
Posição inicial
Você está dentro da guarda fechada do adversário, ou seja, ele está embaixo com as pernas fechadas em volta da sua cintura e você está por cima.
Passo 1: prepara a pegada na manga
Com uma das mãos, prepara a pegada na própria manga do outro braço. Você precisa de uma manga bem agarrada porque é ela que vai travar o estrangulamento.
Passo 2: passa o braço por cima da cabeça
Com o braço da mão que está agarrando a manga, passa por cima e atrás da cabeça do adversário, abraçando ela.
Passo 3: posiciona o antebraço no pescoço
O outro braço (o que tem a manga sendo agarrada) vem por cima e o antebraço entra no pescoço do adversário, na frente, fazendo a pressão direta na traqueia ou lateral.
Passo 4: aperta com força
Com a estrutura travada, fecha o aperto puxando os cotovelos pra você. A pressão sobe rápido, e é exatamente isso que faz o cara bater.
O Ezequiel é um estrangulamento limpo e poderoso quando bem executado, mas pode virar uma máquina de moer pescoço se o cara forçar com a parte óssea do punho na traqueia em vez do antebraço. No treino, sempre solta logo que o parceiro bater. E no campeonato, foca em apertar com o antebraço, não com o punho ou a mão crua. Isso preserva a integridade do parceiro e ainda assim faz o golpe funcionar.
O Ezequiel a partir de outras posições
Como o golpe foi popularizado no Jiu Jitsu, os faixas pretas brasileiros foram adaptando e criando variações. Hoje você vê o Ezequiel sendo aplicado:
- De dentro da guarda fechada (versão clássica do Ezequiel Paraguassu)
- De cima da guarda do adversário, na hora que você está passando
- Das costas, quando você não consegue encaixar um mata-leão
- Do quatro apoios, quando o adversário tá tentando levantar
- Sobre a montada, quando o adversário fica de bruços
É um golpe que se adapta a várias situações. E pra você que está começando, a versão da guarda fechada continua sendo a porta de entrada. Aprende ela bem, treina a defesa, e depois você expande pras outras posições.
Aliás, falando em guarda fechada, eu fiz um vídeo no canal sobre como sair da guarda fechada no Jiu Jitsu, que tem mais de 120 mil views e te ajuda a entender o lado de quem está embaixo. Conhecer os dois lados do tatame é fundamental. Cola pra assistir:
E se você quer ver outra finalização matadora da guarda fechada que todo iniciante deveria treinar, esse aqui é o complemento perfeito:
O legado do Golpe Ezequiel no Jiu Jitsu
Cara, eu acho essa história fascinante por vários motivos. Primeiro, mostra como o Jiu Jitsu brasileiro sempre foi aberto pra absorver técnica de outras artes marciais. O Carlson Gracie não fechou a porta pro judoca, abriu. E o resultado foi um golpe novo (pra nós) que enriqueceu o repertório do esporte inteiro.
Segundo, mostra como uma limitação pode virar inovação. O Ezequiel não conseguia abrir a guarda fechada dos atletas do Carlson Gracie. Em vez de desistir, ele usou o que ele já sabia. Tem muita lição pro praticante moderno aí. Se você tá travado em uma posição, em vez de tentar fazer o que todo mundo faz, vê o que VOCÊ tem de ferramenta única e usa isso a seu favor.
Terceiro, mostra como o Jiu Jitsu é cultura viva. Os nomes mudam, os golpes evoluem, as adaptações acontecem. E o que vira nome no nosso esporte é o que pega na boca da galera do tatame. Não é a federação que decide. É a cena.
Um estrangulamento japonês chamado Sode Guruma Jime, mais antigo que o próprio Judô, foi trazido pra academia do Carlson Gracie nos anos 80 pelo judoca olímpico brasileiro Ezequiel Paraguassu, que se preparava pras Olimpíadas de Seul 1988. Como o golpe era desconhecido dos faixas pretas de Jiu Jitsu da época, fez tanto estrago que virou apelido na academia: “faz a do Ezequiel”. O apelido pegou. Hoje, é uma das finalizações mais aplicadas em todo o mundo do Jiu Jitsu, do faixa branca ao faixa preta.
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Cara, conhecer a origem dos golpes é massa, mas o que vai te fazer evoluir de verdade é ter um caminho claro pra aprender tudo na ordem certa. Foi exatamente pra isso que eu criei o GFA. Não é coleção de técnica solta, é uma trilha estruturada de fundamentos, quedas, passagens, raspagens e finalizações (Ezequiel incluído, claro). Simples e eficiente, do jeito que o Jiu Jitsu deveria ser ensinado. 1 ano de acesso pra você consultar e revisar quando precisar.
Continue a Sua Jornada pelos Golpes e Lendas do Jiu Jitsu
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Eu acho que conhecer a origem dos golpes é uma parte importante de quem leva o Jiu Jitsu a sério. Quando você sabe da onde veio uma técnica, você treina ela com mais respeito. E com mais respeito, você aprende melhor. Espero que essa história do Ezequiel tenha te ajudado a olhar pro golpe com olhos diferentes da próxima vez que entrar no tatame.
Me conta nos comentários: você já finalizou alguém usando o Ezequiel? E mais importante, já tomou um Ezequiel bem dado? Conta a história aí pra gente trocar ideia.
Forte abraço, tamo junto. Muito Mais Ação Jiu Jitsu, muito mais Jiu Jitsu pra você. OSS!

