Tem cara que entra no tatame pra treinar. E tem cara que entra pra deixar o nome na história. O Wallid Ismail é desse segundo grupo: um amazonense que pegou um ônibus, viajou dois dias e duas noites até o Rio, bateu na porta da academia do Carlson Gracie e saiu de lá como uma das figuras mais marcantes e polêmicas do Jiu Jitsu brasileiro.
| Nome completo | Wallid Farid Ismail |
| Nascimento e idade | 23 de fevereiro de 1968, Manaus (AM). 58 anos em 2026 |
| Apelido | “Paraíba”, como a galera da Carlson Gracie chamava |
| Formação | Começou com Ary Almeida em Manaus; faixa preta pelo Carlson Gracie; faixa preta de Judô pelo Georges Mehdi; faixa coral em 2024 |
| Cartel no MMA | 9 vitórias e 3 derrotas, de 1991 a 2002 (UFC, Pride, IVC e eventos no Japão) |
| Vitórias marcantes no Jiu Jitsu | Royce Gracie (relógio, 1998), Renzo Gracie (pontos, 1993) e Ralph Gracie |
A origem amazonense
O Wallid nasceu em Manaus em 23 de fevereiro de 1968 e começou no Jiu Jitsu em 1980, com o Ary Almeida. Ainda moleque já competia pelo Amazonas e colecionava vitória. Foi nessa fase que ele desenvolveu uma coisa que levou pra vida toda: acreditava nele mesmo de um jeito que pouca gente acredita.
Ele saiu de Manaus sem patrocínio e sem convite de academia famosa. Saiu porque decidiu que ia ser o melhor, e pra isso precisava treinar com os melhores, que naquela época estavam no Rio, na academia do Carlson Gracie, em Copacabana.
A chegada na Carlson Gracie e a surra do Ricardo De La Riva
Em 1984, com 16 anos, o Wallid passou dois dias e duas noites dentro de um ônibus até chegar no Rio. Sem dinheiro e sem rede de apoio, só com a certeza de que era ali que precisava estar.
Foi direto pra academia do Carlson. Quando entrou, só tinha um magrelo sentado no tatame. O Wallid, com aquela energia dele, chamou o cara pra um rola antes do treino. Tomou uma surra. Quando foi colocar o kimono, descobriu quem era o magrinho: o instrutor auxiliar da academia, Ricardo De La Riva, o mesmo da guarda que leva o nome dele.
O Carlson gostou do amazonense na hora e depois descreveu ele como “gordinho e cabeludo”, bem diferente do lutador magro e de cabeça raspada que ficou famoso. Como o Wallid não tinha dinheiro, o Carlson deixou ele treinar de graça, coisa que o velho mestre fazia muito com aluno de pouca grana.
O primeiro campeonato no Rio e o blefe do “judoca de Manaus”
No primeiro campeonato que lutou no Rio, o Wallid tinha três meses de treino com o Carlson e sabia fazer uma coisa só: passar a guarda. Aí entrou a malandragem. Ele espalhou pelo ginásio que era um judoca famoso de Manaus. Os adversários, com medo de tomar a queda, puxaram pra guarda por conta própria. E ele passou a guarda de todo mundo e foi campeão.
Tem outra luta dessa época que resume o cara. Ainda faixa marrom, contra o “Jucão”, ele perdia de 9 a 0 e tomou um armlock tão justo que o braço estalou várias vezes. O Wallid não bateu, escapou, virou o jogo e venceu por pontos.
Jiu Jitsu contra Luta Livre
No começo dos anos 90, Jiu Jitsu e Luta Livre viviam em guerra de verdade, com briga na rua e invasão de academia. Numa dessas, depois de uma confusão entre o Rickson Gracie e o Hugo Duarte numa praia do Rio, o pessoal da Luta Livre foi pra cima da academia Gracie. O Wallid, mesmo sendo da Carlson e rival da família, correu sozinho pra ajudar a defender o lugar. Na cabeça dele, naquele dia a briga era pelo Jiu Jitsu inteiro.
Pouco depois foi marcado o desafio que ia medir as duas lutas no Vale Tudo, em 26 de setembro de 1991. O Wallid ainda era faixa marrom e insistiu tanto que o Carlson deixou ele entrar. Era o único da equipe que não tinha faixa preta. Venceu o Eugenio Tadeu por nocaute técnico depois de uma luta longa, e o Jiu Jitsu ganhou o desafio.
A vitória sobre o Renzo Gracie e a rivalidade com a família
A rivalidade com os Gracie começou cedo. Ainda faixa marrom, o Wallid venceu o Ralph Gracie na Copa Rio Sport Center. Em 1993, já faixa preta, venceu o Renzo Gracie por pontos, numa luta polêmica cujas versões se arrastam até hoje. Eu contei essa treta toda no canal:
A rivalidade mais pesada foi com o Ryan Gracie. Tudo começou numa praia de Copacabana, quando o Ryan, acompanhado de amigos, agrediu o Wallid, que estava sozinho. Daí em diante o Wallid desafiou o Ryan várias vezes pra resolver no tatame, e a luta nunca aconteceu.
O dia em que o Wallid apagou o Royce Gracie
Durante anos o Wallid desafiou abertamente os líderes da família Gracie. Em 1998 o Royce aceitou, com regras dele: sem limite de tempo e sem pontos, só finalização. A imprensa do Brasil inteiro cobriu, e foi aí que o Wallid soltou a frase que virou marca registrada:
“Se ele pensa que vai vir ao Rio pra pegar sol, está muito enganado, pois vai encontrar o tempo ruim o tempo todo.”
Em 17 de dezembro de 1998, no Oscar de Jiu Jitsu, o tempo ruim chegou. Com 4min53s de luta, o Wallid encaixou o estrangulamento relógio e o Royce apagou. O Royce era o símbolo que tinha apresentado o Jiu Jitsu ao mundo nos primeiros UFCs, e um amazonense da Carlson Gracie tinha acabado de finalizar ele. Aquela luta mostrou que o Jiu Jitsu tinha deixado de ter dono.
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O cartel do Wallid Ismail no MMA
O Wallid fez 12 lutas de MMA e terminou com 9 vitórias e 3 derrotas. A primeira vitória foi justamente no desafio contra a Luta Livre, em 1991. Em 1996 venceu três lutas por mata-leão, duas delas contra o japonês Katsumi Usuda.
Em 1997 lutou no UFC 12 e perdeu por decisão para o Kazuo Takahashi. Depois venceu o Johil de Oliveira e o Gary Myers no IVC, perdeu para o Akira Shoji no Pride 4, em 1998, e voltou a ganhar no Pride 15 finalizando o Shungo Oyama com um katagatame. Em 2002 perdeu por decisão para o Alex Stiebling no Pride 19 e fechou a carreira com duas vitórias no Japão: nocaute técnico sobre o Kazunari Murakami e decisão sobre o Yasuhito Namekawa, no Inoki Bom-Ba-Ye de dezembro de 2002.
A briga com o Edson Carvalho
Essa parte da história é pesada e aconteceu fora do tatame. O Edson Carvalho era faixa preta de Jiu Jitsu e judoca, e na época tinha se juntado a um grupo liderado por um homem que se dizia “mestre da morte” e garantia que o estilo dele, o Yawara, podia matar com um toque.
Tudo começou no clube de Judô do Georges Mehdi, que muitos alunos do Carlson frequentavam. O Wallid e o Edson discutiram numa aula. Três dias depois, segundo os relatos de Osvaldo “Paquetá” e “Bebeo” Duarte, o Edson pegou o Wallid de surpresa no vestiário e a briga terminou na escada do clube, com o Wallid desacordado e muito machucado. Ele passou cerca de uma semana internado em estado grave. Quando o Carlson, que estava nos Estados Unidos, soube do que tinha acontecido, pegou o primeiro avião de volta pro Brasil.
Jungle Fight e o Wallid Ismail de hoje
Depois de parar de lutar, o Wallid abriu a academia Brasil Dojo, com a bênção do Carlson e em parceria com o promotor japonês Antonio Inoki. O plano maior era trazer o MMA de volta, longe da fama ruim que as brigas de arquibancada tinham dado ao esporte no Rio no fim dos anos 90.
Em 2003 ele levou o MMA pra Manaus e fundou o Jungle Fight. O evento estourou, cresceu e virou o maior evento de MMA do Brasil, tanto que o Wallid largou a Brasil Dojo pra se dedicar só a ele. Pelo Jungle passaram muitos atletas que depois chegaram ao UFC.
Ele também virou empresário de lutadores e cuidou da carreira de nomes como o Deiveson Figueiredo, ex-campeão peso mosca do UFC, a Amanda Lemos e o Paulo Costa, além de ter feito o córner do Paulo Thiago e do Erick Silva. Em janeiro de 2024 recebeu a faixa coral.
O que a história do Wallid ensina
O Wallid nunca foi conhecido como o atleta mais técnico da geração dele. Ficou conhecido como um dos mais determinados. Saiu de Manaus sem nada, virou faixa preta do Carlson, venceu dois Gracie, sobreviveu a uma agressão brutal, fundou o maior evento de MMA do país e levou atleta brasileiro até o cinturão do UFC.
Pra quem está no tatame hoje, a lição é a do braço estalando contra o Jucão: o resultado vem de quem continua lutando quando o placar diz que já acabou. Consistência supera talento.
Perguntas frequentes sobre Wallid Ismail
Qual o cartel do Wallid Ismail no MMA?
9 vitórias e 3 derrotas em 12 lutas, entre 1991 e 2002. As derrotas foram para o Kazuo Takahashi (UFC 12), o Akira Shoji (Pride 4) e o Alex Stiebling (Pride 19).
Como foi a luta entre Wallid Ismail e Royce Gracie?
Foi em 17 de dezembro de 1998, no Oscar de Jiu Jitsu, sem limite de tempo e sem pontos. O Wallid venceu com 4min53s, apagando o Royce com o estrangulamento relógio.
Quem foi o professor do Wallid Ismail?
Ele começou com o Ary Almeida em Manaus e virou faixa preta pelo Carlson Gracie, no Rio. No Judô, a faixa preta veio pelo Georges Mehdi.
O que o Wallid Ismail faz hoje?
É o dono do Jungle Fight, evento que fundou em 2003 em Manaus, e empresário de lutadores como o Deiveson Figueiredo. Recebeu a faixa coral em 2024.
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Continue evoluindo
Esses posts completam o assunto:
- Carlson Gracie: o mestre do Wallid
- A história da academia Carlson Gracie
- Royce Gracie: o Gracie que o Wallid apagou
- Royler Gracie: a história e a luta contra o Sakuraba
- Hélio Gracie: o patriarca do Jiu Jitsu brasileiro
É isso aí, guerreiros. Qual foi o momento mais marcante da carreira do Wallid: o relógio no Royce, o desafio contra a Luta Livre ou a fundação do Jungle Fight? Conta nos comentários.
Forte abraço, tamo junto. Muito Mais Ação Jiu Jitsu, muito mais Jiu Jitsu pra você. OSS!





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