Cara, tem academia que forma campeão de Jiu Jitsu. Tem academia que forma campeão de MMA. E tem a Nova União, que faz as duas coisas no mesmo tatame, com o mesmo professor, há quase 30 anos. Se você gosta de Jiu Jitsu sério, gosta de MMA, gosta de história do esporte brasileiro, esse aqui é um nome que você precisa conhecer de cabo a rabo.
A Nova União Jiu Jitsu é uma das equipes mais respeitadas e vitoriosas da história desse esporte no Brasil. Saiu da fusão de duas academias do Rio de Janeiro, virou potência mundial nos anos 90 e 2000, dominou a categoria peso galo do UFC com Renan Barão e José Aldo, e ainda hoje continua sendo uma das maiores referências em formação de campeões. Tudo isso veio do trabalho silencioso e brutalmente competente de dois professores: André “Dedé” Pederneiras e Wendell Alexander.
Senta aí porque vou te contar essa história inteira. É uma das melhores que o Jiu Jitsu brasileiro já produziu.
A fusão que deu origem à Nova União
Antes de virar Nova União, eram duas academias separadas. A Dedé Pederneiras Jiu Jitsu, comandada pelo André “Dedé” Pederneiras, e a equipe do Mello Tênis Clube, comandada pelo Wendell Alexander. Os dois eram cariocas, faixas pretas respeitados, professores muito bem cotados na cena. E se conheceram do jeito mais natural possível: num campeonato, com os times deles competindo, lá no começo dos anos 90.
Conforme os anos passaram, foram se reencontrando em campeonato atrás de campeonato. Viraram bons amigos. E é aí que começa a parte interessante. No começo de 1995, o Wendell tinha um atleta inscrito num torneio menor, mas não ia conseguir estar presente. Pediu pro Pederneiras se ele podia ajudar o atleta dele no dia. Pederneiras topou. Foi a primeira vez que um competidor da equipe do Wendell lutou usando a coordenação do Dedé.
Três meses depois, foi o Pederneiras que não pode estar numa competição. Aí foi o Wendell que assumiu os lutadores. Depois desses dois episódios, os dois chegaram numa conclusão simples e ao mesmo tempo poderosa: eles eram mais fortes trabalhando juntos. Sozinhos, eram dois bons times. Unidos, podiam fazer frente aos gigantes da época. Decidiram pela fusão. E batizaram a equipe nova de Nova União.
O time dos pesos leves que assombrou o Mundial
Não demorou muito pra Nova União virar referência no mundo do Jiu Jitsu. Como o Pederneiras e o Wendell já eram professores bem cotados ANTES da fusão, quando juntaram as forças foi questão de tempo até começarem a formar faixas pretas de alto nível.
No primeiro Mundial de Jiu Jitsu da IBJJF em 1996, a Nova União conquistou 7 medalhas. Nenhuma delas na faixa preta ainda, mas pra um time recém-formado, era um indicativo gigante do que viria.
No ano seguinte, em 1997, o estrago foi de outro nível. A equipe medalhou 28 atletas. Cinco deles nas categorias mais leves da faixa preta, dezenove nas categorias mais leves das demais faixas (do galo até a leve). E levou ouro no balanço geral por equipes. Foi nessa virada que a Nova União ganhou o apelido que carrega até hoje: o time dos pesos leves.
E essa fama não foi acaso. Os anos seguintes confirmaram, e quando a equipe fez a transição pro MMA, foram justamente os pesos leves que primeiro causaram impacto no esporte global. Os faixas pretas da NU sabem que peso leve não é categoria de coadjuvante. É onde a Nova União é lendária.
Em 2002, a equipe tomou uma decisão polêmica que vale a pena lembrar: parou de competir em campeonatos da IBJJF, que era a federação dominante, e foi defender uma nova federação chamada CBJJO (Confederação Brasileira de Jiu Jitsu Olímpico). A ideia da CBJJO era profissionalizar o esporte e remunerar os atletas em dinheiro pelas medalhas. A Nova União só voltou pra IBJJF em 2007.
Falando em formação rápida de campeão, eu fiz um vídeo lá no canal sobre as 5 graduações mais rápidas de faixa preta no Jiu Jitsu, e a Nova União aparece bem por dentro dessa história. Cola lá pra ver.
A expansão da Nova União nos Estados Unidos
No mesmo ano da fusão, 1995, um americano chamado John Lewis começou a treinar Jiu Jitsu pra aperfeiçoar o jogo dele no Vale Tudo, que era o que existia antes do MMA virar a marca consolidada que a gente conhece hoje. O Lewis procurou o Pederneiras pra treinar.
Aqui veio uma polêmica. A comunidade do Jiu Jitsu na época viu essa atitude do Pederneiras como uma traição, porque o John Lewis já tinha uma luta marcada contra o Carlson Gracie Junior, filho do mestre Carlson Gracie. Imagina aceitar treinar o cara que vai lutar contra um Gracie. Pra época, era pesado. Mas o Pederneiras topou. E essa decisão mudou tudo.
O John Lewis virou a porta de entrada da Nova União nos Estados Unidos. A academia dele, a “J-Sect Jiu Jitsu”, foi o marco zero pra equipe se espalhar pelo país. O Lewis levou vários faixas pretas da Nova União pra ajudar nas aulas, e esses caras foram se espalhando pelos Estados Unidos formando outras academias. Os principais nomes desse processo foram:
| Faixa Preta | Localização nos EUA |
|---|---|
| Gustavo Dantas | Arizona |
| Renato “Charuto” | Hawaii |
| Toni Pontes | Arkansas |
| Robson Moura | Filiada Robson Moura Association |
| Vitor “Shaolin” Ribeiro | Nova York |
| Bruno Bastos | Texas |
Cara, esse é um dos pontos mais subestimados da história da Nova União. Eles não só dominaram aqui no Brasil, eles foram um dos pilares principais da popularização do Jiu Jitsu brasileiro nos Estados Unidos. E até hoje as academias filiadas mantêm o nome lá em cima.
🥋 Quer construir um Jiu Jitsu sólido como o da Nova União?
Cara, o que faz a Nova União ser Nova União é método. Eles não formam campeão por acidente, formam por trilha. Por isso o Dedé e o Wendell soltam faixas pretas que ganham Mundial e que ainda viram campeões mundiais de UFC. Se você tá começando agora e quer ter clareza do caminho da faixa branca pra faixa azul, foi pra isso que eu criei o Guia Completo pra Faixa Azul (GFA). É o mapa que ninguém te entrega no tatame. 1 ano de acesso pra consultar sempre que precisar.
A virada pro MMA e o domínio do UFC
Aqui entra a parte que fez o nome da Nova União estourar pro grande público. Muitos atletas da equipe vinham de famílias humildes e não tinham renda nenhuma só com o Jiu Jitsu esportivo. O MMA apareceu como uma alternativa real de sustento, e o Pederneiras enxergou isso primeiro que muita gente.
O André já tinha lutado no Japão nos anos 90 e tinha contatos sólidos com a comunidade do MMA japonesa. Ele usou essa rede pra virar o promotor do Shooto Brasil, uma organização de MMA com raízes fortes no Japão e tradicionalmente focada nos pesos leves do esporte. Foi através do Shooto que o Pederneiras lançou alguns dos atletas mais talentosos da equipe.
Como o Pederneiras passou a cuidar da operação MMA, o André Marola assumiu como instrutor da matriz no Rio. E os atletas começaram a subir nos rankings do Shooto Brasil em sequência:
- Renan “Barão”
- Ronys Torres
- Willamy Chiquerim
- Dudu Dantas
- E muitos outros que abriram caminho até o UFC
José Aldo, Renan Barão e o legado social
Quando a Nova União chegou ao UFC, foi com tudo. Renan Barão virou campeão peso galo do UFC. José Aldo virou campeão peso pena do UFC. Dois cinturões de uma das maiores organizações de MMA do planeta, na mão de atletas vindos do tatame do Dedé e do Wendell, no Rio de Janeiro. Jussier “Formiga” também subiu ao top mundial. E todos esses caras se firmaram entre os pesos mais leves do UFC, justamente onde a Nova União sempre foi referência.
Mas tem uma parte dessa história que poucos comentam e que merece destaque. A Nova União é famosa pelo trabalho social com comunidades carentes. O Wendell e o Dedé sempre trataram de ajudar quem tinha sido rejeitado pela sociedade. Permitiam que alunos treinassem sem pagar mensalidade. Em alguns casos, deixaram atletas morarem dentro da academia pra mantê-los longe das ruas. Esse foi exatamente o caso do José Aldo.
Numa entrevista que o André deu pro programa Sensei SporTV, ele falou sobre esse trabalho:
Esse é o tipo de história que eu acho que define uma academia. Não é só o ouro do mundial, não é só o cinturão do UFC. É a vida do moleque sem perspectiva que virou campeão do mundo porque alguém apostou nele. Isso é o coração da Nova União.
Por que a Nova União importa pro Jiu Jitsu brasileiro
Se você quer entender a história moderna do Jiu Jitsu brasileiro, você precisa entender a história da Nova União. Eles foram um dos times que provaram que dá pra ter sucesso em larga escala no esporte sem pertencer à família Gracie. Que dá pra construir academia gigante a partir do esforço técnico e da generosidade humana de dois professores cariocas.
E foram também os primeiros a entender que o atleta de Jiu Jitsu precisava de uma carreira sustentável. Sem isso, não tem campeão. Não tem geração de ouro. Não tem nada.
Uma das 3 maiores academias do mundo na virada do milênio. Dois títulos mundiais por equipe em 2002. Sólida no Jiu Jitsu esportivo até hoje. Pioneira no Brasil em formar campeões mundiais de MMA. Berço de Renan Barão, José Aldo, Jussier Formiga e tantos outros. Espalhada nos Estados Unidos por mestres como Robson Moura, Vitor Shaolin, Gustavo Dantas e Bruno Bastos. E ainda, talvez o mais importante: uma das equipes que mais usou o Jiu Jitsu como ferramenta de transformação social no Brasil.
Eu sou daqueles que acreditam que entender a história das equipes é entender o esporte que a gente pratica hoje. Quem conhece a história da Nova União treina diferente. Treina com mais respeito. Treina sabendo que muita gente derramou suor pra ele poder colocar o kimono e dizer que faz Jiu Jitsu brasileiro.
Pra fechar com chave de ouro, esse vídeo aqui é um complemento que vale muito a pena assistir. Conta a história da rivalidade entre a linhagem Gracie e a linhagem Fadda, e ajuda a entender o ecossistema todo de equipes brasileiras de onde a Nova União nasceu.
🥋 Comece o seu Jiu Jitsu com clareza do caminho
Cara, todo grande atleta da Nova União um dia entrou no tatame como faixa branca, sem saber praticamente nada. A diferença entre eles e quem ficou pelo caminho foi simples: tinham um professor com método claro. Se você quer ter essa mesma clareza, sem depender de sorte e sem ficar perdido em técnica solta, o GFA é a sua trilha. Quedas, passagens, raspagens, finalizações, tudo em ordem. 1 ano de acesso pra revisitar quando precisar.
Continue a Sua Jornada pelas Equipes e Lendas do Jiu Jitsu
Se você curtiu mergulhar na história da Nova União, esses outros posts vão te ajudar a montar o quebra-cabeça inteiro do Jiu Jitsu brasileiro:
- A história da Checkmat Jiu Jitsu
- As 10 academias de Jiu Jitsu mais bonitas do mundo
- A história de André Galvão e a Atos Jiu Jitsu
- História de Carlson Gracie e o Carlson Gracie Team
- História de Wallid Ismail, faixa preta do Carlson Gracie
- História de Fabrício Werdum, outro brasileiro que dominou o MMA
- A história de Fernando Tererê
- História de Helio Gracie
- Rickson Gracie e o Jiu Jitsu como filosofia de vida
Me conta nos comentários: na sua opinião, qual foi o momento mais importante da história da Nova União? A formação pelos pesos leves, a expansão nos Estados Unidos ou o domínio dos cinturões do UFC com Aldo e Barão?
Forte abraço, tamo junto. Muito Mais Ação Jiu Jitsu, muito mais Jiu Jitsu pra você. OSS!
As informações que serviram como base dessa publicação foram extraídas do site bjjheroes.com, dos sites das academias e dos atletas, e de publicações de revistas como Graciemag, Tatame, entre outras.


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