Quarenta e cinco minutos de rola sem parar, em rounds de dois minutos, com castigo pra quem demorasse na troca de dupla. O Fábio Gurgel tinha avisado que o treino ia ser curto, porque a galera reclamou que o da semana passada passou do ponto. Curto, no vocabulário dele, significa outra coisa. Eu assisti tudo e comentei round por round, e o que mais me pegou foi a ordem das prioridades na hora de passar a guarda.
Assiste comigo
Nesse vídeo eu acompanho o rola inteiro e comento as pegadas que travam a passagem, a defesa de triângulo com o cotovelo aberto que eu não conhecia, e o momento exato em que um aluno consegue raspar. Solta o like maroto lá depois, e assiste comigo.
O treino que era pra ser curto
A estrutura é simples de entender e cruel de aguentar: dois minutos pra passar, dois minutos defendendo, dois minutos e troca o parceiro. Quem demorasse pra achar a próxima dupla pagava castigo. Com o time inteiro em preparação pro Mundial Master, isso virou 45 minutos sem respiro.
O detalhe que faz a diferença nesse formato é a troca constante. Você acabou de entender o jogo de um parceiro e já cai em outro corpo, outra pegada, outro ritmo. Não dá tempo de acomodar num jeito só de passar, e é exatamente aí que o repertório aparece.
Perna antes da gola: a ordem que destrava a passagem
Essa é a parte em que eu faço diferente do que vi no tatame, e explico o porquê no meio do vídeo. Quando você entra pra passar, a primeira preocupação tem que ser a perna do adversário. A gola vem depois. A maioria do pessoal faz o contrário: agarra a gola primeiro porque parece controle, e deixa as pernas livres pra recolocar guarda.
Enquanto a perna dele estiver solta, ele reconecta a guarda quantas vezes quiser, e a sua pegada bonita na gola não vale nada. Controla a perna e o jogo dele encolhe na hora. Essa troca de ordem resolveu muita passagem travada no meu treino.
A passagem que o pessoal da Alliance usa demais
Tem uma passagem que aparece o tempo todo no treino da equipe, a São Paulo pass, e eu comento as pegadas dela no vídeo enquanto o rola acontece. É passagem de pressão, do tipo que avança pouco a pouco e não devolve espaço pro parceiro reconstruir a guarda.
Vale assistir prestando atenção em como o peso é distribuído antes de cada avanço. A pressa é a inimiga desse tipo de passagem: quem apressa entrega o quadril e volta pra guarda fechada.
Quando o faixa preta grande resolve sentar o peso
Outra situação que se repete no vídeo é a do cara grande estabilizando em cima. Ali o jogo muda de figura: a saída passa por manter quadro com os braços, escapar o quadril pro lado e, acima de tudo, continuar respirando. Quem prende a respiração embaixo de pressão perde o rola em trinta segundos.
E tem uma boa notícia que o próprio treino mostra: o pesado também cansa. Segurar posição por cima gasta muito mais do que parece de fora.
Faixa preta de 56 anos entrando no rola sem escolher adversário
O Gurgel tem 56 anos e entrou no rola com faixa branca, azul, roxa, marrom e preta, sem escolher quem pegava. Em 45 minutos, o time inteiro tentou e quase ninguém conseguiu incomodar. Um aluno chegou a raspar, e eu comento no vídeo o que ele fez de diferente dos outros.
Pra mim essa é a parte que mais ensina, e ela não é técnica. É a disposição de estar no tatame todo dia, no rola de verdade, com quem quer que apareça na frente. Consistência supera talento, e ali a conta de décadas aparece inteira.
🥋 Sua passagem morre no meio do caminho? Organiza a trilha.
Passar a guarda é sequência de decisões, e decisão boa vem de repertório. O GFA, Guia Completo para a Faixa Azul, organiza essa trilha na ordem certa, das pegadas às passagens, com 12 meses de acesso pra estudar no seu ritmo.
Perguntas frequentes
Qual a primeira pegada na hora de passar a guarda?
A prioridade é a perna do adversário, e a gola vem depois. Enquanto as pernas dele estiverem livres, ele reconecta a guarda mesmo com você segurando a gola. Controlando a perna primeiro, as opções de recomposição dele caem muito.
Como treinar passagem de guarda com rounds curtos?
Combina blocos de 2 minutos: um passa, o outro defende, e na sequência troca de papel e de parceiro. O tempo curto obriga a decidir rápido e evita aquele rola arrastado em que os dois descansam. Com troca de dupla, você ainda enfrenta corpos e ritmos diferentes no mesmo treino.
Por que passar a guarda é tão difícil pra faixa branca?
Porque no começo a leitura é de força e não de espaço: o iniciante tenta arrancar a perna ou passar por cima na pressa, e devolve o quadril toda vez. Passagem se constrói tirando as opções do parceiro aos poucos, e isso exige repetição na posição, não explosão.
Quem é Fábio Gurgel?
Fábio Gurgel é um dos maiores nomes da história do Jiu Jitsu brasileiro e o líder da Alliance, uma das equipes mais vitoriosas do esporte. Foi campeão mundial na fase de competidor e hoje é referência como treinador, conhecido pelo apelido de General.
🗺️ Baixe o Mapa da Faixa Azul
O caminho da azul à faixa roxa, fase por fase: o que construir em cada etapa, os erros que estagnam e a auditoria honesta do seu jogo. 10 páginas direto ao ponto, no seu e-mail.
Continue evoluindo
Esses posts completam o assunto:
- Guarda De La Riva: como jogar e como passar
- Norte-sul: controlar, finalizar e sair da posição
- Treino posicional: o método do Fábio Gurgel
- Costas no Jiu Jitsu: controlar e escapar
Agora me conta aqui embaixo: você aguentaria 45 minutos nesse formato, ou o seu treino já pede água no terceiro round? Quero ler.
Forte abraço, tamo junto. Muito Mais Ação Jiu Jitsu, muito mais Jiu Jitsu pra você. OSS!




