Esse cara é americano, começou no Jiu Jitsu mais velho que a média e trabalhava recolhendo lixo na rua pra pagar as contas. Mesmo assim, subiu no tatame e fez o que ninguém achava possível: dominou os maiores brasileiros da história da arte suave. Você pode amar ou odiar, mas não dá pra ignorar o que ele fez. Essa é a história completa de Gordon Ryan.
Essa história reabre a série História de Campeões do canal, e o vídeo completo está aqui embaixo. Solta o like maroto lá depois, beleza?
Ficha rápida de Gordon Ryan
| Nome | Gordon Ryan |
| Nascimento | 8 de julho de 1995, Nova Jersey (EUA) |
| Apelido | The King (o rei) |
| Faixa preta por | Garry Tonon (2016), com apoio de John Danaher, Tom DeBlass e Ricardo Almeida |
| Equipe | Ex-Danaher Death Squad; hoje Kingsway, em Austin (Texas) |
| Principais títulos | 7 ouros no ADCC (recorde), campeão em 3 categorias diferentes, 4 títulos do EBI |
| Marca registrada | Chaves de pé sistematizadas, controle de costas e o jogo científico do sistema Danaher |
De gari a lenda: o começo improvável
Um moleque comum de Nova Jersey
Enquanto muitos dos nossos craques brasileiros começam a engatinhar dentro do tatame com 3 ou 4 anos de idade, com Gordon foi o contrário. Ele começou tarde pros padrões competitivos, lá pelos 15 anos. E nada de prodígio mirim: era um adolescente americano comum, que gostava de videogame e por acaso resolveu fazer uma aula experimental de Jiu Jitsu.
A decisão de 2015
Antes de ser o rei, Gordon Ryan trabalhava como gari. Isso mesmo, recolhia lixo na rua. E em 2015 ele tomou a decisão que mudou a vida dele: largou o emprego pra apostar absolutamente tudo no Jiu Jitsu. Sem plano B. Era dar certo ou nada.
Agora pensa comigo: quantas vezes você já usou a desculpa de que começou tarde demais? O cara que muita gente considera o maior lutador de no-gi de todos os tempos começou tarde, era um trabalhador comum e nem tinha o dom natural que a gente costuma atribuir aos brasileiros. Se faltava talento, o que transformou um gari de Nova Jersey no maior dominador do esporte? A resposta está numa palavra: sistema.
O porão do Renzo Gracie e o sistema que mudou tudo
Quem é John Danaher
Gordon passou pelas mãos de Tom DeBlass, um dos treinadores mais respeitados dos Estados Unidos, e logo cruzou o caminho de Garry Tonon. Mas a virada de chave veio quando ele começou a viajar pra Nova York pra treinar num lugar que ficou conhecido no mundo todo: o porão da academia do Renzo Gracie. Quem comandava os treinos ali era um neozelandês de sorriso tímido e cara de filósofo chamado John Danaher.
Presta atenção, porque aqui vale ouro pro seu Jiu Jitsu. O Danaher é um dos maiores estudiosos da arte. Ele se recusa a ensinar técnica solta, aquele formato de hoje uma raspagem, amanhã uma chave de braço. Pra ele, o Jiu Jitsu deve ser ensinado como um sistema conectado, onde uma posição leva pra outra e tudo tem uma sequência lógica, um porquê.
As chaves de pé viram ciência
Danaher pegou as famosas e odiadas chaves de pé, a botinha, a chave de calcanhar, a americana de pé, que pros brasileiros da época eram quase um tabu, coisa mal vista no Jiu Jitsu tradicional, e transformou aquilo numa ciência. Fez o mesmo com controle de costas e finalização, estudando eficiência mecânica e hierarquia posicional num sistema amarrado.
Pra você ter uma ideia do tamanho da revolução: antes daquela turma, muita academia proibia chave de pé, muito professor torcia o nariz e achava que era coisa de quem não sabia lutar de verdade. O Gordon e o pessoal do porão pegaram exatamente a parte do jogo que todo mundo ignorava e transformaram numa arma impossível de defender.
O esquadrão da morte
Eles estudavam vídeo, anotavam tudo, testavam e ajustavam, muito parecido com cientista em laboratório. Daquele porão saiu o time que ficou conhecido como DDS, o Danaher Death Squad, o esquadrão da morte do Danaher. E o aluno mais obcecado de todos era o próprio Gordon: passava horas estudando a mecânica de uma posição só, cada ângulo, cada pressão, cada pegada. Ele estudava Jiu Jitsu como quem estuda pro maior concurso público da vida. E fazia questão de entender cada posição, em vez de decorar. Essa diferença entre decorar e entender é o que separa o praticante que evolui do praticante que vive travado.
Esse nível de obsessão aparecia até fora do tatame. Olha o treino físico do cara:
A subida relâmpago e o Brasil como pedra no caminho
Campeão na marrom, faixa preta e o carrasco do EBI
Com esse método na cabeça, aconteceu uma coisa que o Jiu Jitsu nunca tinha visto: uma ascensão absurdamente rápida. Em 2015, ainda na faixa marrom, Gordon já atropelava gente grande e faturou o Mundial sem kimono da IBJJF na categoria. O nível dele na marrom já era de campeão mundial faixa preta. No comecinho de 2016 veio a faixa preta, amarrada por Garry Tonon (Gordon foi o primeiro faixa preta dele), numa cerimônia com apoio de Danaher, Tom DeBlass e Ricardo Almeida Cachorrão.
Ele caiu de cabeça no formato que era a cara dele: as competições que só valiam finalização, principalmente o Eddie Bravo Invitational, o famoso EBI. Ali virou carrasco: 4 títulos, sempre entrando pra estrangular ou pegar o braço de quem estivesse pela frente.
Felipe Pena, o único que finalizou o rei
Mas em dezembro de 2016 veio o primeiro grande encontro com um brasileiro, e ele deixou uma cicatriz que eu tenho certeza que dói até hoje. O nome dele: Felipe Pena, o Preguiça. Os dois se enfrentaram num superduelo no Studio 540, em Solana Beach, na Califórnia. Luta de 45 minutos, só valendo finalização. Gordon partiu pra cima atrás de botinha e calcanhar, e o Preguiça fez o que quase ninguém no mundo conseguia: escapou das chaves de pé, subiu, pegou as costas e finalizou no mata leão.
Guarda o tamanho disso: o Preguiça é, até hoje, o único ser humano que finalizou Gordon Ryan na faixa preta. O único da carreira inteira. Ali nasceu uma das rivalidades mais quentes que o Jiu Jitsu já viu.
Leandro Lo e a segunda queda
E o Brasil seguiu sendo calo no pé do Gordon. Em abril de 2017, numa seletiva do ADCC nos Estados Unidos, o Braulio Estima se machucou no aquecimento de uma superluta contra Leandro Lo, e o Gordon, que estava lá apoiando a equipe, topou entrar no lugar em cima da hora. Você sabe: Leandro Lo foi um dos maiores faixas pretas que o Jiu Jitsu já produziu, e deu aula. Controlou o jogo, acertou as quedas, fugiu das chaves de pé e venceu por 4 a 0.
ADCC 2017: o ouro e o Preguiça de novo
Um detalhe que pouca gente lembra: Gordon não entrou no ADCC 2017 por seletiva. A vaga veio por convite da organização, que já enxergava nele uma das maiores promessas do mundo. E pra quem não conhece, o ADCC é a Copa do Mundo do grappling: os maiores lutadores de wrestling, sambo, judô e Jiu Jitsu se reúnem a cada dois anos pra ver quem é o melhor de todos.
Na estreia, na Finlândia, ele passou por cima de todo mundo na categoria até 88 quilos: bateu Dillon Danis, finalizou Rômulo Barral, venceu Xande Ribeiro e finalizou Keenan Cornelius numa guilhotina. Ouro logo na primeira vez. No absoluto, atropelou Cyborg, Craig Jones e Mahamed Aly até a final. E adivinha quem esperava lá? Ele de novo: Felipe Pena. O roteiro da vingança estava pronto, e a vingança falhou. O Preguiça escapou de todos os ataques, pegou as costas mais uma vez e venceu por 6 a 0. Duas vitórias seguidas do brasileiro sobre o futuro rei.
E olha que coisa interessante, guerreiro: o rei, antes de ser rei, apanhou dos brasileiros. Talvez você, faixa branca, esteja se sentindo igual ao Gordon desse comecinho: achando que começou tarde, que falta dom. O que tirou o Gordon do fundo do poço foi ter um caminho organizado, alguém mais experiente apontando a direção. É exatamente isso que falta pra maioria dos faixas brancas: você aprende uma posição hoje e amanhã já esqueceu, porque está tudo solto.
🥋 Quer o caminho organizado que o Gordon teve?
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ADCC 2019: nasce o rei
Lesionado, enfaixado e ainda assim imparável
É em 2019 que o Gordon deixa de ser promessa pra virar lenda, com um detalhe que torna tudo ainda mais inacreditável: pouco antes do campeonato, ele rasgou um ligamento do joelho numa luta e ainda machucou a mão num acidente com uma motinha elétrica. Entrou no ADCC mais importante da vida com a mão enfaixada, praticamente lutando com uma mão só. E fez o quê? Subiu de categoria, pros 99 quilos, e detonou. Ouro na categoria. Depois entrou no absoluto e foi passando o carro um por um, incluindo o próprio Garry Tonon, o homem que tinha amarrado a faixa preta na cintura dele, finalizado com estrangulamento.
A raspagem de cinema contra Buchecha
Na final do absoluto, a luta que o planeta inteiro queria ver: Marcus Almeida, o Buchecha, o maior campeão da história do Jiu Jitsu de kimono, 13 vezes campeão mundial, mais que qualquer ser humano que já vestiu kimono. Só faltava uma coisa na estante dele: o absoluto do ADCC. De um lado o rei do kimono, do outro o rei do sem kimono. Brasil contra Estados Unidos.
A luta foi um xadrez tenso e equilibrado. E logo no comecinho, Gordon fez uma cena que ficou marcada: sentado na guarda de gancho, embaixo de um cara bem maior e mais pesado, encaixou uma raspagem daquelas de cinema. Buchecha repôs a guarda na hora, e o lance nem valeu ponto porque ainda estava na parte da luta em que os pontos não são computados. No fim daquela batalha decidida no detalhe, Gordon controlou tanto o jogo que o Buchecha foi punido por falta de reação, e a punição definiu: vitória do americano. Ouro na categoria, ouro no absoluto. O double gold, a dobradinha mais difícil do esporte.
A coroa na cabeça
Foi aí que Gordon se coroou, literalmente. Passou a se chamar The King e a entrar nas lutas de coroa na cabeça e manto nas costas, igual rei de verdade. Teve gente que achou a coisa mais arrogante do mundo e teve gente que amou. Mas depois de 2019 ninguém mais discutia: Gordon Ryan era o número um do planeta. E estava só começando.
O lado sombrio: a saúde, a perda do pai e o racha da equipe
A bactéria que armou a bomba
Só que a vida do rei tem uma parte mais humana e mais dura, a que separa o Gordon atleta do Gordon ser humano. Por trás do monstro invencível, o corpo começava a falhar. Por volta de 2018, ele pegou uma infecção de pele por Staphylococcus, o terror de quem treina Jiu Jitsu. Pra tratar, tomou antibiótico atrás de antibiótico, e a sequência destruiu a flora intestinal dele. A partir dali, o estômago do Gordon nunca mais foi o mesmo: dores horríveis, digestão que parou de funcionar, e uma sucessão de diagnósticos (infecção, fungo no intestino, desequilíbrios) que nenhum médico conseguia resolver por completo.
O One Championship e a primeira aposentadoria
Em 2021, Gordon chegou a assinar com o One Championship, uma organização gigante, com planos de luta agarrada e até de um futuro no MMA. O estômago piorou tanto que ele precisou parar. Foi a primeira vez que falou em se aposentar pra cuidar da saúde. E como se a tempestade precisasse de mais vento, foi nessa época que o famoso Danaher Death Squad rachou. A equipe se separou, e Gordon e Danaher montaram uma nova base em Austin, no Texas. Em poucos meses, o rei perdeu a saúde e metade da equipe.
Big Gord
E no meio de tudo isso, a vida guardou o golpe mais duro. No final de 2020, Gordon perdeu o pai, o Big Gord, aquele senhor querido que estava sempre na plateia dos campeonatos, torcendo e tirando foto com os fãs. Os dois eram grudados, melhores amigos. Pouco antes, com o dinheiro do Jiu Jitsu, Gordon tinha realizado um sonho antigo: deu um carro de presente pro pai, pra reviver as lembranças de quando andavam juntos ouvindo rock alto. Na despedida, ele escreveu que o pai tinha os defeitos dele, e ainda assim era o melhor pai e o melhor amigo que alguém poderia perder, e que junto com o pai morreu também uma parte sua. Às vezes, por trás do vilão arrogante da internet, tem um filho arrasado com um buraco no peito do tamanho do mundo.
Muita gente apostou que o reinado tinha acabado ali. Quem apostou contra o Gordon Ryan errou feio.
ADCC 2022 e 2024: o tapa, a vingança e os 7 ouros
A história do tapa no André Galvão
Antes do capítulo mais épico, você precisa entender por que a superluta de 2022 mexeu tanto com o Brasil. Gordon e André Galvão já vinham se estranhando fazia tempo, com alfinetadas pela internet, principalmente por parte do americano. Num evento em 2021, depois de uma luta, Gordon estendeu a mão, e o Galvão, no calor do momento, recusou o cumprimento e fez um gesto ofensivo. Pouco depois os dois se cruzaram nos bastidores, a coisa esquentou e o Gordon deu um tapa na cara do André Galvão. O tapa ecoou pelo mundo do Jiu Jitsu inteiro. Depois, o André reconheceu publicamente que errou em provocar e disse que perdoava o Gordon. Mas o estrago estava feito: aquele tapa jogou um caminhão de gasolina numa fogueira que já estava acesa.
2022: 11 segundos e o mata leão da consagração
No ADCC 2022, o primeiro depois da pandemia, Gordon fez o que ninguém tinha feito na história do evento: pediu pra disputar a superluta contra o Galvão e, no mesmo final de semana, competir na categoria dos pesos pesados, acima de 99 quilos. Foi atendido e cumpriu. Na categoria, atropelou todo mundo, incluindo a finalização mais rápida da história do ADCC: uma chave de calcanhar em 11 segundos no brasileiro Roosevelt Souza, na semifinal. Na final da categoria, venceu o americano Nick Rodriguez.
E na superluta, contra um André Galvão que não perdia desde 2017 e era o guardião daquele trono, quem brilhou foi o Gordon: pegou as costas na frente do mundo inteiro e finalizou no mata leão. Com isso, virou o primeiro campeão do ADCC em três categorias de peso diferentes e o primeiro a vencer categoria e superluta no mesmo evento. Doeu na alma do brasileiro, doeu mesmo. Mas naquele dia Gordon Ryan selou de vez o título de melhor do mundo.
2024: doente, vomitando e ainda assim imbatível
O problema do estômago só piorou. Gordon contou depois que já tinha perdido a capacidade de treinar forte: toda vez que forçava o corpo, passava mal, tinha ânsia, vomitava. Um cara doente e debilitado. E mesmo assim fez duas superlutas no mesmo evento em 2024. Uma delas contra quem? Felipe Pena, o Preguiça, o brasileiro que colocou medo nele lá atrás. Dessa vez Gordon venceu nos pontos e, no maior palco do mundo, sentiu a vingança consumada. Na outra superluta, atropelou o Yuri Simões, um atleta de altíssimo nível, por 21 a 0.
Com essas vitórias, Gordon chegou a 7 ouros no ADCC, a maior quantidade de títulos da história do campeonato. E fez isso doente, sem conseguir treinar direito. Pra mim, é a prova máxima daquilo que eu sempre repito: técnica e conhecimento vencem força e preparação física.
As polêmicas e o recado do American Jiu Jitsu
Não dá pra contar a história do Gordon Ryan e fingir que ele é um santo. Ele construiu de propósito uma imagem de vilão: provoca, alfineta, virou o cara que você ama odiar. Na minha opinião, três pontos pegam mal de verdade.
O doping assumido
Gordon nunca escondeu que usa substâncias pra melhorar o desempenho, e a maioria dos campeonatos de grappling não tem teste antidoping. É trapaça ou é honestidade? Tem gente que diz que isso mancha o legado, e tem gente que diz que ele só assume em voz alta o que muitos fazem escondido. O debate segue aberto.
A guerra com a antiga equipe
Depois do racha do DDS, a separação virou guerra pública, com troca de farpas muito feia, principalmente com Craig Jones. Ataque pessoal dos dois lados, coisa pesada.
Os comentários que passam do ponto
E sendo direto com você: em diversas ocasiões, Gordon soltou comentários nas redes sociais que realmente passaram do ponto. Eu obviamente vou repetir nenhum deles aqui, porque o canal existe pra outra coisa. O cara é genial no tatame e problemático fora dele. Os dois fatos convivem.
O recado que dói no brasileiro
Do outro lado da moeda, toda essa polêmica fez do Gordon o atleta mais conhecido e mais bem pago da história do Jiu Jitsu, com gente comparando ele ao Conor McGregor. Ele provou que dá pra viver de Jiu Jitsu sem migrar pro MMA. E ele carrega a bandeira de um movimento que a gente detesta ouvir: o American Jiu Jitsu, uma geração de americanos que pegou a arte que nós brasileiros desenvolvemos e espalhamos pelo mundo, e passou a estudar com uma obsessão e uma ciência de dar inveja. O resultado você viu: começaram a bater os brasileiros no nosso próprio jogo.
Por mais que eu discorde do rótulo (pra mim American Jiu Jitsu como modalidade separada existe apenas no marketing), o movimento fez barulho. E eu quero que você encare isso como um chamado, e nunca como raiva. A lição é dura e é real: o título de dono do Jiu Jitsu se conquista no tatame, no estudo, no detalhe, todo santo dia. Ele vem escrito em certidão de nascimento nenhuma. Enquanto parte de nós descansa na fama de que o Jiu Jitsu é nosso, tem um monte de gente do outro lado estudando com fome. Em vez de remoer inveja do que o Gordon fez, a gente tem que aprender com ele e voltar a estudar com a mesma fome. Esse, pra mim, é o maior recado que a história dele deixa pro Jiu Jitsu brasileiro.
Gordon Ryan x Roger Gracie: quem é o maior de todos os tempos?
O reinado do Roger
Eu sei que muito brasileiro está pensando: tá, mas e o Roger Gracie? Essa é uma das discussões mais gostosas do nosso esporte, porque os dois são reis de reinos diferentes. Roger é, pra muita gente e com toda razão, o maior faixa preta de todos os tempos. Dominou o Mundial de kimono de um jeito que parecia brincadeira: 10 títulos mundiais, finalizando a elite do planeta com o arroz com feijão executado à perfeição. Passava, montava e estrangulava da montada.
E pra apimentar: Roger também foi pro ADCC e fez, em 2005, uma coisa que nem o Gordon fez: ganhou a categoria e o absoluto finalizando todos os adversários, do primeiro ao último, sem exceção. É o único double gold da história do ADCC com 100% de finalização, e por isso foi o primeiro nome do Hall da Fama do evento. Depois ainda foi pro MMA e chegou a ser campeão do One Championship. Fora de série em tudo que pisou. A história completa dele está no post sobre Roger Gracie, o maior competidor da história.
Reinos diferentes
Já o Gordon foi o rei absoluto do mundo dele, o no-gi: chaves de perna, transição rápida, uma ciência própria. Comparar os dois é quase comparar esportes diferentes, porque o Jiu Jitsu com kimono e sem kimono se distanciaram tanto que viraram quase modalidades separadas, com regras, ritmos e técnicas próprias. É tipo comparar o melhor jogador de futebol de campo com o melhor de futsal.
A minha resposta (e a pergunta pra você)
Os dois são lendas absolutas. A pimenta que fica no ar: Roger provou o valor nos dois mundos e ainda no MMA, enquanto Gordon escolheu focar quase tudo no sem kimono e ali fez algo monstruoso. A versatilidade do Roger pesa mais na balança, ou a especificidade do Gordon coloca ele na frente mesmo assim? Eu gravei um vídeo inteiro só sobre esse duelo de gigantes:
A aposentadoria, o diagnóstico genético e o legado
O que os exames encontraram
No capítulo mais recente, marcando 10 anos da faixa preta, Gordon anunciou nas redes sociais que provavelmente estava encerrando a carreira de competidor. Nas palavras dele, algo como: por agora, posso dizer com confiança que terminei. O motivo é o mesmo estômago de sempre, só que agora com nome: um teste genético mapeou o DNA dele e encontrou mutações raras, incluindo uma ligada à fibrose cística e um conjunto ligado a doenças inflamatórias do intestino, que causam acúmulo de muco no aparelho digestivo. O problema é genético, está na raiz, e a medicina ainda não tem como consertar isso por completo. Aquele monte de antibiótico de 2018 só destravou uma bomba que já estava armada dentro do corpo dele.
A porta que ficou aberta
Só que Gordon Ryan sendo Gordon Ryan: poucos dias depois do anúncio, já dava entrevista deixando a porta aberta, dizendo que se o estômago melhorar, talvez volte pra tentar o ADCC. E logo apareceu vídeo dele treinando e finalizando gente forte na academia. Sendo honesto com você: ninguém sabe se a gente já viu o Gordon competir pela última vez. É o tipo de cara que você nunca pode dar como acabado.
Kingsway e o professor que nasce
O que ele está construindo agora é a academia dele em Austin, no Texas, a Kingsway, ao lado do próprio John Danaher, formando uma nova geração e abrindo filiações pelo mundo. O atleta talvez esteja chegando ao fim. O professor está só começando.
E o legado? Gordon Ryan mudou o Jiu Jitsu sem kimono de uma vez por todas: popularizou um jeito de lutar, revolucionou as chaves de pé, provou que método organizado bate talento solto e levou o esporte a um patamar de público e de dinheiro que nunca tinha existido. Pra muita gente, e eu me incluo nessa, ele é o maior lutador de Jiu Jitsu sem kimono de todos os tempos. Longe de ser o mais querido. Sem dúvida nenhuma, o maior. Um cara que começou tarde, trabalhador comum, sem dom, e virou o maior do mundo à base de método, obsessão e constância. Consistência supera talento. Simples e eficiente.
Perguntas frequentes sobre Gordon Ryan
Quantas vezes Gordon Ryan ganhou o ADCC?
São 7 ouros no ADCC, a maior quantidade de títulos da história do campeonato. Ele também foi o primeiro a vencer três categorias de peso diferentes e o primeiro a ganhar categoria e superluta no mesmo evento.
Quem finalizou Gordon Ryan?
Na faixa preta, apenas um homem: o brasileiro Felipe Pena, o Preguiça, com um mata leão em dezembro de 2016, no Studio 540. Pena ainda venceu o Gordon de novo na final do absoluto do ADCC 2017, por pontos. Em 2024, Gordon devolveu vencendo o Preguiça nos pontos.
Por que Gordon Ryan se aposentou?
Por um problema de saúde no aparelho digestivo. Um teste genético encontrou mutações raras ligadas à fibrose cística e a doenças inflamatórias do intestino. Ele mesmo deixou a porta aberta pra voltar ao ADCC se a saúde melhorar.
Qual é a academia do Gordon Ryan?
A Kingsway, em Austin, no Texas, fundada ao lado do treinador John Danaher depois do racha do Danaher Death Squad. A academia forma uma nova geração e abre filiações pelo mundo.
Continue evoluindo
Se você curte as histórias dos gigantes do tatame, esses posts completam o panteão:
- Roger Gracie: a história do maior competidor da história do Jiu Jitsu
- André Galvão: a história do lendário campeão do ADCC
- Mica Galvão: a história completa do prodígio brasileiro
- Rickson Gracie: a história completa do maior lutador da arte
- História do Jiu Jitsu: da origem japonesa à família Gracie
É isso aí, guerreiros. Agora eu quero a sua resposta com sinceridade nos comentários: quem foi o maior de todos os tempos, Gordon Ryan ou Roger Gracie? Bora ver essa discussão pegar fogo.
Forte abraço, tamo junto. Muito Mais Ação Jiu Jitsu, muito mais Jiu Jitsu pra você. OSS!

