Toda academia tem alguém que conta essa história: “antigamente só existia a faixa branca, ela ia escurecendo com o suor e a sujeira dos anos de treino, até ficar preta”. É bonito, é poético… e é mito. A história real da origem das faixas é menos romântica e mais interessante: envolve um educador japonês visionário, uma piscina e a necessidade muito prática de organizar alunos. Bora separar a lenda do fato.
E sobre o que cada faixa representa hoje no Jiu Jitsu, eu explico nesse vídeo. Solta o like maroto lá depois, beleza?
O mito da faixa suja
A lenda diz que o praticante começava com a faixa branca e nunca a lavava; com anos de treino, suor e tatame, ela iria escurecendo, amarelada, amarronzada, até ficar preta, “provando” a jornada. A história é tão boa que se conta sozinha, mas não há registro histórico que a sustente. E convenhamos: numa arte que preza higiene e respeito, o troféu ser uma faixa imunda nunca fez muito sentido. O que a lenda captura de verdadeiro é só a metáfora, a faixa como registro do tempo e da jornada.
A história real: Jigoro Kano e o judô
As faixas como sistema de graduação nasceram com Jigoro Kano, o educador que fundou o judô no Japão no fim do século 19. Kano precisava de um jeito visual de organizar seus alunos por nível, separar iniciantes de avançados nos treinos, e se inspirou em sistemas de ranqueamento já usados no Japão em outras disciplinas. No começo, a divisão era simples: alunos sem graduação e os graduados (dan), que passaram a usar a faixa preta como distintivo. Simples, prático e revolucionário: pela primeira vez, o nível do praticante estava visível no uniforme.
De onde vieram as cores intermediárias
O arco-íris entre a branca e a preta veio depois, e ganhou força fora do Japão: sistemas de cores intermediárias se popularizaram no judô europeu por volta dos anos 1930 e 1940, o nome mais citado é o do mestre Mikonosuke Kawaishi, que difundia o judô na França e viu nas cores um motivador pedagógico poderoso pros alunos ocidentais: metas visíveis e alcançáveis no caminho longo até a preta. A ideia funcionou tão bem que se espalhou pras artes marciais do mundo inteiro.
E como chegou ao Jiu Jitsu?
O Jiu Jitsu brasileiro herdou a lógica do judô, afinal, nasceu dele, mas construiu seu próprio caminho: por décadas o sistema foi enxuto, e só com a organização esportiva o esquema atual se consolidou: branca, azul, roxa, marrom e preta no adulto, com o sistema infantil de cores próprias, os graus na ponteira e, no topo da jornada, as faixas coral e vermelha dos grandes mestres. Cada detalhe desse sistema, tempos, graus, idades, a gente destrincha no guia completo das faixas (link ali embaixo).
Por que a faixa importa (e por que não importa)
A faixa nasceu como ferramenta pedagógica, e é assim que ela funciona melhor até hoje: um mapa visível da jornada, que organiza o treino e celebra etapas. O que ela nunca foi: um fim em si. Kano criou o sistema pra servir ao aprendizado, não o contrário. Então respeite a faixa, comemore cada graduação… e lembre que o que ela mede de verdade é o que você construiu entre uma cor e outra.
Perguntas frequentes
É verdade que a faixa preta surgiu da faixa branca suja?
Não, é folclore. Não existe registro histórico da “faixa que escurecia”: o sistema de faixas foi criado deliberadamente por Jigoro Kano, no judô, como ferramenta pedagógica de organização dos alunos.
Quem inventou o sistema de faixas nas artes marciais?
Jigoro Kano, fundador do judô, no fim do século 19 no Japão, inicialmente separando alunos graduados (faixa preta) dos não graduados.
Quando surgiram as faixas coloridas?
As cores intermediárias se popularizaram décadas depois, principalmente no judô europeu dos anos 1930-40, com o mestre Mikonosuke Kawaishi entre os grandes difusores da ideia na França.
As faixas do Jiu Jitsu são iguais às do judô?
Não: o Jiu Jitsu brasileiro herdou a lógica, mas desenvolveu sistema próprio, branca, azul, roxa, marrom e preta no adulto, cores infantis próprias, graus na ponteira e as faixas coral e vermelha no topo.
🥋 A jornada entre as cores
A faixa marca o caminho, e o caminho se constrói dominando os fundamentos na ordem certa. No Guia da Faixa Azul, você encontra as posições que importam, na ordem certa, com o método Simples e Eficiente pra evoluir treino após treino.
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Continue evoluindo
Esses posts completam o assunto:
- Faixas do Jiu Jitsu: ordem, graus e significado
- Sistema de graduação no Jiu Jitsu
- Qual a diferença entre Jiu Jitsu e judô
É isso aí, guerreiros. Você também ouviu a lenda da faixa suja quando começou? Conta nos comentários quem te contou, aposto que foi com a maior convicção do mundo.
Forte abraço, tamo junto. Muito Mais Ação Jiu Jitsu, muito mais Jiu Jitsu pra você. OSS!




