Quando você fala em João Miyao Jiu Jitsu, está falando de um dos caras mais técnicos que esse esporte já viu. Não é o mais forte, não é o mais pesado, não é o mais alto. Mas é praticamente impossível de finalizar. E isso, guerreiro, não é talento solto, não. É técnica refinada na base da repetição.
Nesse post você vai conhecer a história completa do João Miyao: de onde ele saiu, como ele e o irmão gêmeo Paulo viraram referência mundial, e por que o estilo deles é uma aula viva pra qualquer faixa branca ou azul que quer evoluir no Jiu Jitsu sem precisar ser o mais forte da academia.
Quem é João Miyao no Jiu Jitsu
João Ricardo Bordignon Miyao é faixa preta de Jiu Jitsu, graduado por Cicero Costha dentro da PSLPB (Projeto Social Lutando Pelo Bem), em São Paulo. É considerado um dos lutadores mais técnicos da sua geração, com um currículo que poucos atletas conseguem montar em uma vida inteira de tatame.
Junto com o irmão gêmeo Paulo, João formou uma das duplas mais respeitadas do Jiu Jitsu mundial. Os dois saíram do interior do Paraná pesando muito pouco e foram pra cima de gigante, faixa preta, pesado, qualquer um. E venceram. Muito.
Nome completo: João Ricardo Bordignon Miyao
Nascimento: 11 de maio de 1991, Andirá (PR), Brasil
Origem: Descendente de 3ª geração de japoneses
Faixa: Preta
Professor que graduou: Cicero Costha (PSLPB)
Primeiro professor: Adriano Carvalho (Andirá-PR)
Categoria de peso: Pluma / Pena (em torno de 64 kg)
Irmão gêmeo: Paulo Miyao, também faixa preta
A história dos irmãos Miyao
Cara, a história do João e do Paulo é dessas que dá vontade de contar pra todo mundo que tá começando no Jiu Jitsu. Porque ninguém ali tinha estrutura, ninguém tinha padrinho famoso, ninguém tinha academia top desde cedo. O que eles tinham era obsessão por treino.
João e Paulo nasceram no mesmo dia, 11 de maio de 1991, na pequena cidade de Andirá, no norte do Paraná. Filhos de um agricultor e uma diarista, descendentes de terceira geração de japoneses, os dois cresceram numa rotina simples, de interior. A primeira arte marcial deles foi o Judô. Foi só aos 16 anos que o Jiu Jitsu apareceu na vida da dupla, e dali pra frente, beleza, não teve mais volta.
O primeiro professor que botou a mão na cabeça dos meninos foi Adriano Carvalho, lá em Andirá mesmo. Foi ele que enxergou o talento bruto dos dois e empurrou a dupla a competir com regularidade. Os Miyao foram pegando gosto, começaram a colecionar medalha em campeonato regional, depois estadual, e a vontade de virar atleta profissional começou a crescer de verdade.
A mudança pra São Paulo
Quando completaram 18 anos, os irmãos tomaram a decisão mais importante da carreira deles. Largaram o conforto de casa, deixaram a família em Andirá (contra a vontade dos pais, diga-se de passagem) e foram pra São Paulo atrás do sonho do Jiu Jitsu profissional. Não tinham casa, não tinham emprego, não tinham praticamente nada. O que tinham era a certeza de que precisavam estar perto de uma academia grande pra evoluir.
Em São Paulo eles encontraram a casa deles na academia de Cicero Costha, a PSLPB. Não era só academia, era projeto social, era moradia, era escola de vida. Os Miyao literalmente moravam dentro da academia junto com outros atletas, treinando o dia todo, todos os dias. Cicero acolheu, ensinou e formou os dois.
Foi ali que o estilo deles começou a tomar forma. O Cicero era treinador dos irmãos Mendes (Guilherme e Rafael) também, e os Miyao desenvolveram técnicas focadas em quebrar o jogo dos Mendes, que eram o padrão a ser superado naquela geração. Guarda afiadíssima, transições absurdas pra costas, controle de pegada que parecia velcro. Tudo isso nasceu daquela troca diária.
A graduação pra faixa preta
Detalhe interessante da trajetória: apesar do Paulo ter recebido a faixa marrom antes do João, os dois acabaram recebendo a tão sonhada faixa preta juntos, em junho de 2013. Foi uma decisão simbólica do Cicero, reconhecendo que aquela história não dava pra separar. Os Miyao começaram juntos, treinaram juntos, sofreram juntos. E foram graduados juntos. Bonito demais.
Vídeo: a saga dos irmãos Miyao no canal
Lá no nosso canal eu já tinha contado essa história em detalhes, com tudo que aconteceu desde Andirá até as conquistas mundiais. Fica comigo nesse vídeo aqui que vale muito a pena:
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O estilo de luta que fez o nome do João
O João Miyao construiu uma reputação que pouquíssimos atletas conseguem: o cara é um guardeiro de elite. Ele praticamente não levanta pra atacar de cima. O jogo dele é puxar a guarda, controlar, virar, tirar as costas e finalizar. Simples assim. Mas pra fazer simples desse jeito, tem que ter uma técnica que beira a obsessão.
Algumas marcas registradas do estilo dele:
- Domínio absurdo das guardas modernas: incluindo a famosa 50/50, a guarda de gancho, a guarda em pé e a transição pra costas com inversão
- Pegada de aço: quando ele agarra a manga ou a lapela, parece que tá soldado. É a base do controle dele
- Paciência absoluta: não corre, não desespera. Espera o adversário errar pra avançar
- Defesa primeiro, sempre: antes de pensar em atacar, ele resolve a posição. Por isso ninguém pega ele
Esse jogo paciente, técnico, baseado em princípio antes de técnica, é o que faz o Miyao ser tão difícil de superar. E é exatamente o caminho que todo iniciante deveria estudar, em vez de tentar imitar o jogo explosivo dos atletas que dependem de atributo físico pra performar.
🥋 Quer aprender o Jiu Jitsu do jeito que o Miyao aprendeu?
Cara, o que faz o João Miyao ser quem ele é não é talento natural. É método. É um conjunto enxuto de técnicas dominadas na base da repetição inteligente, do simples e eficiente. Foi exatamente pensando nisso que eu criei o Guia Completo para a Faixa Azul (GFA), o mapa que ninguém te entrega no tatame. Trilha estruturada, com começo, meio e fim, pra você sair do “decorou e esqueceu” e construir um jogo de verdade. Você tem 1 ano de acesso pra consultar sempre que precisar.
Por que o João Miyao quase nunca é finalizado
Em abril de 2020, a gente fez aqui no site um levantamento entre os campeões mundiais de Jiu Jitsu pra identificar quais atletas nunca tinham sido finalizados na faixa preta. João Miyao ficou em primeiro lugar nessa lista. E não é por acaso, não. Tem explicação técnica clara pra isso.
Quando você analisa o jogo dele, percebe que a defesa vem antes do ataque. Antes de tentar uma raspagem agressiva, ele consolida a posição. Antes de partir pras costas, ele tranca a postura do adversário. Antes de finalizar, ele tem 100% de certeza de que a estrutura não vai cair. Isso é Jiu Jitsu maduro, do tipo que demora anos pra construir.
Outro ponto fundamental: o cara é pluma. Pesa em torno de 64 kg. Quantas vezes você já viu ele competir no absoluto, encarando atletas pesando 90, 100 kg, e mesmo assim sair sem ser finalizado? Várias. Isso é técnica acima de tudo. Não tem atributo físico que compense erro técnico nessa diferença de peso. O que segura ele em pé contra os monstrões é única e exclusivamente o nível absurdo do Jiu Jitsu dele.
A lição que todo faixa branca pode tirar do João Miyao
Olha, eu sei que parece distante. “Ah, o cara é atleta profissional, tem talento, vive de Jiu Jitsu.” Tudo verdade. Mas se você prestar atenção na trajetória dele, vai ver que tudo começou com fundamento. Com repetição. Com método. Com obsessão pelo simples bem feito.
O Miyao não chegou onde chegou porque inventou alguma técnica revolucionária. Ele chegou porque fez o básico melhor que todo mundo. Pegada, postura, base, controle, transição, finalização. As mesmas posições que você treina na sua academia, ele faz com 10 mil horas a mais de detalhe.
Então a lição é essa, guerreiro: pare de procurar a técnica milagrosa. A técnica milagrosa não existe. O que existe é fundamento bem treinado, repetido com consciência, aplicado com calma. É isso que faz qualquer faixa branca virar uma faixa azul de verdade, e qualquer faixa azul evoluir pra roxa com naturalidade. É o caminho que o Miyao trilhou, é o caminho que qualquer um pode trilhar (no nível que cabe na sua realidade, claro).
🎯 Tá na hora de ter um método pra evoluir de verdade
Se a história do Miyao te inspirou, deixa eu te falar: o que separa quem evolui de quem fica estagnado não é talento, é estrutura. É ter uma trilha clara, saber o que treinar, em que ordem, com que objetivo. Foi pra resolver exatamente isso que eu construí o Guia Completo para a Faixa Azul (GFA). Quedas, passagens, raspagens, finalizações, tudo organizado de um jeito que faz sentido pra quem tá começando. 1 ano de acesso, simples e eficiente, do jeito que o Jiu Jitsu tem que ser ensinado.
Continue a Sua Jornada
Se você curtiu conhecer a história do João Miyao, esses outros atletas e equipes vão te trazer ainda mais inspiração sobre os bastidores do Jiu Jitsu mundial:
- História de Paulo Miyao: o irmão gêmeo que dividiu cada conquista com o João
- História de Rafael Mendes: o pluma fenômeno que inspirou uma geração
- História de Guilherme Mendes: o irmão mais velho dos Mendes Bros
- História de Rubens “Cobrinha” Charles: outro pluma lendário do Jiu Jitsu
- História de Nicholas Meregali: a nova fera do absoluto
- História de André Galvão: o capitão dos Atos e lenda viva do esporte
É isso aí, guerreiros. Me conta nos comentários: qual atleta do Jiu Jitsu que mais te inspira hoje? E por quê? Quero saber.
Forte abraço, tamo junto. Muito Mais Ação Jiu Jitsu, muito mais Jiu Jitsu pra você. OSS!
As informações utilizadas como base nesse post foram extraídas do site BJJHeroes.com, do próprio canal Muito Mais Ação Jiu Jitsu e de publicações de revistas como Graciemag e Tatame, entre outras.

