Quando a Gabi Garcia pisava no tatame, o ginásio inteiro já sabia como a luta ia terminar. Foram anos assim: 1,87 m de altura, uma força que ninguém na divisão conseguia segurar e uma coleção de títulos que poucas atletas do planeta chegaram perto de juntar. Se você digitou o nome dela no Google, aqui está a história completa, do hóquei na adolescência à luta contra o Craig Jones.
| Nome completo | Gabrielle Lemos Garcia |
| Nascimento | 17 de novembro de 1985, Porto Alegre (RS) |
| Altura | 1,87 m |
| Equipe e professor | Alliance, faixa preta pelo Fábio Gurgel |
| Principais títulos | Campeã mundial IBJJF no peso e no absoluto, ouro no ADCC em 2011, 2013, 2017 e 2019, Hall da Fama da IBJJF |
| MMA | 6 vitórias, nenhuma derrota e 1 luta sem resultado, quase toda a carreira no Rizin |
Do hóquei ao tatame
A Gabi nasceu em Porto Alegre e cresceu fazendo esporte de tudo quanto é tipo: vôlei, handebol e hóquei, onde chegou a jogar em time de nível alto ainda menina. O Jiu Jitsu entrou na vida dela depois que a família se mudou pra São Paulo, quando ela tinha uns 13 anos. Um tio treinava, ela ficou curiosa e foi conhecer a academia.
O talento apareceu rápido, mas a dedicação total demorou. Ela dividia o treino com a faculdade de publicidade e só no último ano decidiu largar tudo pra viver do tatame. Nessa época já treinava com o Fábio Gurgel na Alliance, com o apoio da família, principalmente do pai, que era apaixonado pela luta.
A faixa preta no pódio e o domínio na Alliance
A faixa preta veio de um jeito que ela conta até hoje: no pódio do Mundial, das mãos do próprio Fábio Gurgel, logo depois de ganhar o título ainda de faixa marrom. Dali pra frente, a Gabi virou a peça mais pesada da máquina da Alliance.
Em 2010 ela venceu o peso e fechou o absoluto com a amiga e companheira de equipe Luanna Alzuguir. Em 2011 levou os dois ouros, peso e absoluto. E seguiu acumulando Mundial, Pan-Americano e Brasileiro por quase uma década, sempre na categoria mais pesada e no aberto. A conta exata de títulos mundiais varia de fonte pra fonte, conforme entra ou não o sem kimono, mas não tem discussão sobre o principal: por anos, ganhar da Gabi no peso pesado feminino era praticamente impossível.
Teve também uma mancha nesse caminho. No Mundial de 2013, o exame antidoping dela acusou clomifeno, substância proibida, e o título daquele ano foi retirado. Depois da análise do caso, ela não levou suspensão e seguiu liberada pra competir. Quem quiser entender como funciona esse controle nas competições tem o post sobre antidoping no Jiu Jitsu.
Quatro ouros no ADCC
Se o Mundial da IBJJF mostra quem manda no kimono, o ADCC é o teste de fogo do grappling sem kimono. E foi ali que a Gabi fez história: ouro na categoria acima de 60 kg em 2011, 2013, 2017 e 2019. Com a vitória de 2019, finalizando a Carina Santi na final, ela virou a primeira mulher a ganhar quatro vezes o ADCC. Ainda tem bronze em 2015 e em 2022.
Eu acompanhei a edição de 2019 de perto aqui no canal e fiz uma resenha completa dos resultados, com a análise de tudo que rolou naquele fim de semana:
Gabi Garcia no MMA: invicta no Japão
Em 31 de dezembro de 2015 a Gabi estreou no MMA pelo Rizin, no Japão, ganhando por nocaute técnico no primeiro round. A carreira no evento japonês seguiu nesse ritmo: vitórias rápidas, várias por finalização, como a chave de braço sobre a Anna Malyukova e as americanas (keylock) que ela encaixou em duas lutas.
O cartel fechou com 6 vitórias, nenhuma derrota e 1 luta sem resultado, por causa de um dedo no olho acidental em 2017. A última luta de MMA foi no fim de 2018, de novo no Rizin. Ela chegou a anunciar volta em 2023 e tinha luta marcada no Brasil em abril de 2024, mas o combate foi cancelado depois que a família dela foi atingida pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
Gabi Garcia antes e depois: o corpo de uma peso pesado
Essa é uma das buscas mais comuns sobre ela, então vale olhar com cuidado e sem fofoca. O corpo da Gabi mudou bastante ao longo da carreira, e quase sempre por causa da luta. No auge do kimono ela competia acima dos 100 kg, no peso pesado e no absoluto, onde tamanho e força eram justamente a vantagem.
No MMA a regra é outra: tem limite de peso pra bater na balança. Em 2017, no Rizin, ela precisava chegar a 95 kg e marcou 107,7 kg, a luta foi cancelada e ela pediu desculpas chorando, dizendo que a saúde vinha em primeiro lugar. Quando anunciou a volta ao MMA em 2023, apareceu bem mais leve, falando em lutar por volta de 88 kg. O que muda nas fotos de antes e depois é isso: o peso de quem dominava o absoluto contra o peso de quem precisa caber numa categoria.
As derrotas de 2021 e a despedida do kimono
O ano de 2021 foi o mais duro da carreira. Ela perdeu por pontos pra Nathiely de Jesus e pra Amanda Leve no WNO, e em dezembro, no Mundial, foi finalizada pela Yara Soares. Foi a primeira vez que a Gabi bateu numa luta de faixa preta. Ao fim daquele campeonato, ela anunciou a aposentadoria das competições de kimono da IBJJF.
A aposentadoria valeu pro kimono, não pro grappling. Em agosto de 2024 ela topou uma luta entre homem e mulher contra o Craig Jones, em Las Vegas, no evento dele. Perdeu por mata-leão depois de aguentar uma chave de calcanhar sem bater.
O que a trajetória da Gabi ensina pra quem treina
Muita gente olha pra Gabi e resume tudo ao tamanho. Só que tamanho sozinho não ganha quatro ADCC. Ela juntou um físico fora da curva com anos de treino de base na Alliance, três sessões por dia nas temporadas mais pesadas, e foi isso que transformou força em título.
Pra você no tatame, a lição é direta: o que te faz evoluir é fundamento repetido até virar automático. É isso que eu organizo no Guia Completo para a Faixa Azul, a trilha que eu montei pra quem está começando.
🥋 Fundamento primeiro, o resto vem depois
Nenhuma campeã chegou lá pulando a base. O GFA, Guia Completo para a Faixa Azul, é a trilha com as posições que importam, na ordem certa, pelo método Simples e Eficiente, com 12 meses de acesso pra estudar no seu ritmo.
Perguntas frequentes sobre Gabi Garcia
Qual a altura da Gabi Garcia?
A Gabi Garcia tem 1,87 m. O peso variou bastante: competia acima dos 100 kg no kimono e precisava ficar perto de 95 kg nas lutas de MMA.
Quantos ADCC a Gabi Garcia ganhou?
Quatro ouros, em 2011, 2013, 2017 e 2019, todos na categoria acima de 60 kg. Ela foi a primeira mulher a ganhar o ADCC quatro vezes e ainda tem bronze em 2015 e 2022.
A Gabi Garcia luta MMA?
Lutou. Estreou no Rizin, no Japão, em 2015 e terminou com 6 vitórias, nenhuma derrota e 1 luta sem resultado. A última luta foi em 2018; a volta marcada pra 2024 foi cancelada.
A Gabi Garcia se aposentou?
Ela se aposentou das competições de kimono da IBJJF no Mundial de dezembro de 2021. No grappling seguiu lutando, como na luta contra o Craig Jones em 2024.
🗺️ Baixe o Mapa da Faixa Branca
O caminho do zero à faixa azul, fase por fase: o que estudar em cada etapa, os erros que atrasam e o checklist da primeira aula. 10 páginas direto ao ponto, no seu e-mail.
Continue evoluindo
Esses posts completam o assunto:
- Kyra Gracie: a campeã que abriu as portas do Jiu Jitsu feminino
- Mackenzie Dern: do tatame ao UFC
- Bia Mesquita: a maior campeã da história
- Mundial de Jiu Jitsu: a história e os momentos épicos
- Jiu Jitsu feminino: o guia pra começar
É isso aí, guerreiros. Pra você, quem foi a atleta mais dominante da história do Jiu Jitsu feminino? Conta nos comentários.
Forte abraço, tamo junto. Muito Mais Ação Jiu Jitsu, muito mais Jiu Jitsu pra você. OSS!




